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EDITORIAL



Abílio Pires LousadaHumberto Nuno de Oliveira

Abílio Pires Lousada & Humberto Nuno de Oliveira

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É com grande satisfação que apresentamos aos nossos leitores a 10.ª Edição da Revista Portuguesa de História Militar (RevPHM), volvidos cinco anos da sua criação.

Este número é dedicado a um dos períodos mais decisivos, complexos e debatidos da História Contemporânea de Portugal, a Primeira República e em concreto o trajecto político, militar e social que se estende do Sidonismo à então denominada “Revolução Nacional" de 28 de Maio de 1926. De facto, entre 1917 e 1926, Portugal viveu uma sucessão de acontecimentos que marcaram profundamente o seu destino colectivo. Num contexto internacional moldado pelos efeitos da Primeira Guerra Mundial, pelas transformações económicas e pelas tensões ideológicas que atravessavam a Europa, a 'jovem' Primeira República enfrentou desafios que colocaram à prova a sua estabilidade institucional e a sua capacidade de resposta às aspirações da sociedade portuguesa.

O movimento liderado por Sidónio Pais constituiu uma tentativa singular de reorganização do regime republicano, procurando conciliar autoridade política, legitimidade popular e estabilidade governativa. O seu assassinato, em Dezembro de 1918, não encerrou apenas uma experiência política particular; simbolizou também o início de uma nova fase de incerteza, marcada pela fragmentação partidária, pela instabilidade governativa, pela agitação social e pelo crescente protagonismo das Forças Armadas na vida pública.

Ao longo dos anos seguintes, Portugal assistiu à sucessão de governos efémeros, a tentativas revolucionárias, a movimentos insurreccionais e ao aprofundamento das divisões políticas e ideológicas. Neste cenário, os militares assumiram um papel cada vez mais relevante, não apenas como garantias da ordem pública, mas também como agentes políticos influentes num processo que culminaria no golpe militar de 28 de Maio de 1926 e na instauração da Ditadura Militar.

A análise deste período exige uma abordagem multidimensional, capaz de integrar os factores políticos, militares, económicos e culturais que contribuíram para a erosão do regime republicano e para a emergência de uma nova ordem política. Mais do que uma simples transição entre regimes, estes anos constituem um laboratório privilegiado para compreender as relações entre poder civil e poder militar, os desafios da construção democrática e as dinâmicas de mudança institucional em tempos de crise.

Nesta edição da RevPHM, reunimos contributos de investigadores e especialistas que abordam diferentes perspectivas deste ciclo histórico. Os artigos aqui publicados exploram temas como o legado do Sidonismo, a participação das Forças Armadas na vida política, os movimentos militares e revolucionários da década de 1920, as repercussões sociais e económicas da instabilidade republicana e o contexto que conduziu à implantação da Ditadura Militar. Procurámos, assim, oferecer aos leitores uma visão rigorosa, plural e sustentada de um período cuja influência se prolongaria muito para além de 1926, moldando profundamente a evolução política portuguesa ao longo do século XX.

Num tempo em que a reflexão sobre as instituições, a cidadania e a estabilidade política continua a revelar-se particularmente pertinente, o estudo deste passado permite não apenas compreender melhor a História de Portugal, mas também aprofundar o conhecimento sobre os processos de transformação das sociedades contemporâneas.

A todos os autores, colaboradores e leitores que tornam possível a continuidade deste projeto editorial, expressamos o nosso reconhecimento. Que esta 10.ª Edição da RevPHM constitua um contributo relevante para o aprofundamento do conhecimento histórico e para o debate informado sobre um dos períodos mais marcantes da nossa história nacional.

Por se tratar do número dez, e após cinco anos de publicação ininterrupta (e sempre cumprindo os meses de publicação de Junho e Dezembro a que, de início, nos impusemos), o Presidente da Comissão Internacional de História Militar, Professor Doutor Harold E. Raugh, Jr., entendeu contribuir com um texto de abertura que muito nos honra e que, naturamenle,​ antecede o nosso Editorial.

O primeiro artigo temático, sobre as revoltas monárquicas de 1911 e 1912 desencadeadas por Paiva Couceiro na fronteira Norte de Portugal, que constituem uma ante-câmara da primeira baliza cronológica deste número, é da responsabilidade da jovem investigadora Mestre Francisca Silva, que se estreia nas páginas da nossa Revista.

O Doutor Jorge Silva Rocha, um dos importantes pilares da RevPHM oferece-nos, no âmbito das suas áreas habituais de investigação, um artigo sobre a revolta militar de Sidónio Pais em Dezembro de 1917, que iniciou o consulado do que a historiografia entendeu grafar como Sidonismo.

O artigo seguinte, de um dos directores, aborda a revolta anti-sidonista e anti-governamental ocorrida na cidade de Santarém em 1919, que teve como consequência falerística a condecoração daquela cidade com a Ordem Militar da Torre e Espada pelo Presidente Canto e Castro.

O Tenente-general Alexandre Sousa Pinto, anterior Presidente da CPHM, uma vez mais distingue as páginas da nossa Revista com um artigo, dedicado à guerra civil que assolou então o nosso país e à efémera Monarquia do Norte em 1919. Derradeira tentativa para impor, a partir do Porto, o anterior regime monárquico.

Pedro Vaz Pereira, apresenta igualmente um artigo sobre a Monarquia do Norte, centrado no Batalhão Académico Republicano e acompanhado de profusa e inédita iconografia, onde não faltam curiosos exemplares filatélicos, área de investigação de excelência deste autor.

O Tenente-coronel António Cardoso, antigo chefe da Divisão de História e Cultura da Guarda, apresenta um artigo sobre a Guarda Nacional Republicana no crítico período republicano de 1919-1921, com enfoque na denominada 'Matança de 19 de Outubro de 1921'. Como refere o autor, “ornada num poder de decisão política, a GNR iria fazer as suas próprias revoluções".

O Superintendente Flávio Alves, antigo docente no ISCPSI, oferece-nos uma resenha histórica sobre a Polícia de Segurança Pública entre 1910-1935. Friso cronológico em que percorre as sucessivas reorganizações, missões e deveres de tutela enquanto força de segurança republicana.

O Engenheiro Militar Major Luís Barbosa contribui com um artigo sobre o Serviço Aeronáutico Militar, no período de 1914-1924, quando este se constituía como arma do Exército Português.

O seguinte artigo, de outro dos directores, apresenta uma leitura do que designa revolta militar de 28 de Maio de 1926, centrada na instituição Exército. Entre as causas e motivações, o texto percorre, a passo-a-passo, a acção militar desenvolvida desde Braga até culminar em Lisboa.

Capitão-de-Fragata Carlos Baptista Valentim aborda no seu artigo o papel da Marinha no movimento do 28 de Maio de 1926, questionando se tal participação deverá ser considerada como uma ausência ou apenas um ressurgimento adiado.

O Doutor José Luís Andrade, um pouco para lá da “Revolução Nacional", contribui com um estudo sobre as revoltas reviralhista contra a Ditadura Militar, no período de 1927-1932, classificando-as como a epilepsia da desordem.

O presente volume encerra com o Museu do Ar. Assinado por três jovens oficiais da Força Aérea, o artigo, profusamente ilustrado com imagens institucionais, enquadra, no tempo e no espaço, a criação do Museu do Ar enquanto instituição inserida na evolução da aviação em Portugal e na necessidade de preservação do património aeronáutico nacional.

O artigo de fecho, conforme norma da RevPHM, é feito por artigo extra-dossier. O Dr. Rodrigo Chrystêllo Tavares, escreve-nos sobre Francisco Adolfo de Varnhagen, o Visconde de Porto Seguro, figura de relevo da História brasileira.​




ABÍLIO PIRES LOUSADA​

Militar Historiador e Mestre em Estratégia, Co-Director da Revista portuguesa de História Militar. Académico Honorário da Academia Portuguesa da História, m​embro do Conselho Científico da Comissão Portuguesa de História Militar e membro fundador da Associação Ibérica de História Militar. Autor/co-autor de 18 livros e de mais uma centena de artigos sobre História Militar, Estratégia e temas religiosos. Prémio Literário de Defesa Nacional e Jornal do Exército.


HUMBERTO NUNO DE OLIVEIRA

Historiador (doutor em História), co-Director da Revista Portuguesa de História Militar. Membro do Conselho Científico da Comissão Portuguesa de História Militar e da Direcção de História e Cultura Militar. Presidente da Academia Falerística de Portugal. Professor da Faculdade de História da Universidade Estatal Ucraniana - Dragomanov (Quieve). Cumpriu, como Miliciano, o Serviço Militar Obrigatório no Exército Português


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Como citar este texto:

LOUSADA, Abílio & OLIVEIRA, Humberto Nuno de – Editorial. Revista Portuguesa de História Militar - Dossier: Do Sidonismo à “Revolução
Nacional” de 28 de Maio de 1926. [Em linha] Ano VI, nº 10 (2026); https://doi.org/10.56092/PHHV3893 [Consultado em ...].




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Última atualização: 30 de junho de 2026

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