Ir para o conteúdo principal

2 - Retirada Militar do Ultramar e Contexto Político-Militar em Portugal Entre o 25 de Abril De 1974 e o 25 de Novembro de 1975. Uma Cronologia


RETIRADA MILITAR DO ULTRAMAR E CONTEXTO POLÍTICO-MILITAR EM PORTUGAL ENTRE O 25 DE ABRIL DE 1974 E O 25 DE NOVEMBRO DE 1975. UMA CRONOLOGIA​



Abílio Pires LousadaHumberto Nuno de Oliveira

Abílio Pires Lousada & Humberto Nuno de Oliveira

​​​

ANO DE 1974

  • 26 de Abril-15 de Maio: A JSN exerceu as funções de Presidência da República.
  • 27 de Abril: Institucionalização da Comissão Coordenadora do MFA (CC/MFA), que assumiu a liderança do processo revolucionário em Portugal. Composta por Coronel Vasco Gonçalves, Major Vítor Alves e Major Melo Antunes (Exército); Capitão-tenente Vítor Crespo e Capitão-tenente Almada Contreiras (Marinha); Major Pereira Pinto e Capitão Costa Martins (Força Aérea). Posteriormente, a composição desta Comissão sofreria alterações.
  • 29 de Abril: Nomeados como Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) o General Francisco da Costa Gomes; Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) o Almirante José Baptista Pinheiro de Azevedo; Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) o General Jaime Silvério Marques; Chefe do Estado Maior da Força Aérea (CEMFA) o General Manuel Diogo Neto. Circula na Guiné abaixo-assinado pedindo ao Presidente da JSN o cessar-fogo e abertura de negociações com o PAIGC.
  • 03 de Maio: Manifestantes convocados pelo Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP) impedem o embarque, no aeroporto de Lisboa, de um contingente militar com destino a Cabinda.
  • 07 de Maio: Chega à Guiné, investido nas funções de Delegado da JSN e de encarregado do Governo, o Tenente-coronel Carlos Fabião.
  • 09 de Maio: As Nações Unidas (ONU) lançam um apelo a Portugal para que inicie negociações com vista à resolução da questão colonial.
  • 11-27 de Maio: Constituição dos partidos políticos timorenses: UDT; ASDT/FRETILIN e APODETI.
  • 15 de Maio: JSN designa o seu Presidente, General António de Spínola, como Chefe de Estado e Presidente do Conselho. A Organização de Unidade Africana (OUA) insta Portugal a reconhecer aos povos das suas colónias africanas o direito à independência, sob pena de a guerra ser intensificada.
  • 16 de Maio: Toma posse o I Governo Pro​visório, chefiado por Adelino da Palma Carlos, o que retira a Spínola os poderes da Presidência do Conselho. Verifica-se clivagem entre a JSN e a CC/MFA, com esta a exigir, pela voz do Major Otelo Saraiva de Carvalho, que um dos lugares na JSN fosse de um oficial de patente inferior (o que não foi atendido). Quando da escolha do 1.º Ministro por Spínola, o MFA propusera os nomes de Pereira de Moura, Raul Rego ou Miller Guerra, nomes com os quais o Presidente não concordou. O Tenente-coronel Mário Firmino Miguel é o Ministro da Defesa deste Governo.
  • 22 de Maio: Mário Soares, Ministro dos Negócios Estrangeiros, afirma que Portugal só reconhece como interlocutores, para negociações conducentes ao cessar-fogo e à independência, o PAIGC na Guiné, o MPLA, FNLA e UNITA em Angola e a Frelimo em Moçambique.
  • 05 de Junho: Primeira Assembleia do MFA na Manutenção Militar.
  • 08 de Junho: Plenário do MFA na Manutenção Militar aceita a graduação de Otelo a Brigadeiro, recusando quaisquer outras.
  • 15 de Junho: O Brigadeiro Silvino Silvério Marques é nomeado Governador-Geral de Angola. Criação da União Democrática dos Povos de Cabinda.
  • 20 de Junho: O MPLA declara em Brazzaville que não renunciou à luta armada.
  • 23 de Junho: Criada a Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA).
  • 01 de Julho: Publicada a Lei 4/74 que concede funções legislativas ao Conselho dos Chefes de Estados-Maiores das Forças Armadas em assuntos do foro exclusivamente militar.
  • 07 de Julho: Reunião do MFA no antigo Quartel da Legião Portuguesa, na Penha de França, com recusa das propostas de António de Spínola e de Palma Carlos.
  • 08 de Julho: Criação do COPCON (Comando Operacional do Continente), cujo comando adjunto é atribuído ao Brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho; o comandante era, por inerência, o General CEMGFA.  Esta estrutura, de características quase informais, podia recrutar pessoal nas unidades que entendesse. O COPCON baseou o seu poder, sobretudo, nas seguintes unidades do Exército do Governo Militar de Lisboa (GML): Regimento de Lanceiros N.º 2 (RL 2); Regimento de Infantaria N.º 1 (RI 1); Regimento de Artilharia Ligeira N.º 1 (RAL 1); Regimento de Engenharia Nº 1 (RE 1); Escola Prática de Administração Militar (EPAM); Escola Prática do Serviço de Material (EPSM); Depósito Geral de Material de Guerra (DGMG, Beirolas). E, ainda, pessoal do Corpo de Fuzileiros e a Companhia de Paraquedistas do Lumiar. Este novo Comando merece, de imediato, a oposição do CEME, General Jaime Silvério Marques.
  • ​13 de Julho: Numa reunião na Manutenção Militar, com mais de 300 oficiais do MFA, Spínola advoga que o MFA deveria passar a um papel estritamente militar, apontando o caos económico-social que o país atravessava. É o 'cavar do fosso' entre conservadores e esquerdistas que pretendiam um MFA como motor e garantia do processo revolucionário. Otelo é nomeado Comandante da Região Militar de Lisboa e Comandante-adjunto do COPCON.
  • 17 de Julho: Demissão de Palma Carlos e consequente queda do I Governo Provisório. Os sectores esquerdistas do MFA logram, junto de Spínola, que seja nomeado o Coronel Vasco Gonçalves como Primeiro-ministro do II Governo Provisório[1]. A nomeação deste membro da CC/MFA enquanto Primeiro-ministro foi uma derrota das forças moderadas e uma vitória dos elementos ligados ao PCP, com quem o militar mostrava proximidade. Spínola havia proposto o nome do Tenente‑coronel Mário Firmino Miguel, que se manteve nesse Governo como Ministro da Defesa.
  • 18 de Julho: Por iniciativa do General Costa Gomes, foi instituída a 5.ª Divisão do EMGFA, uma estrutura responsável pela acção psicológica e relações públicas do MFA, cuja chefia foi confiada ao 1.º Tenente Médico Ramiro Correia; a chefia, de facto, cabia ao “adjunto operacional", o Coronel de Artilharia João Maria Paulo Varela Gomes[2].
  • 19 de Julho: O Brigadeiro Silvino Silvério Marques é afastado de Governador-geral de Angola. É substituído pelo Vice-Almirante Rosa Coutinho, nomeado a 24 desse mês.​
  • 27 de Julho: Publicação da Lei Constitucional 7/74 que reconhece os direitos dos povos das colónias à independência.
  • 29 de Julho: Tenente-coronel Pires Veloso é nomeado Governador-geral de São Tomé e Príncipe.
  • 01 de Agosto: Uma assembleia do MFA na Guiné reclama o reconhecimento imediato da Guiné-Bissau.
  • 05 de Agosto: Criação da Comissão Nacional de Descolonização.
  • 07 de Agosto: Chega a Lisboa Arnold Kalinin, primeiro embaixador da URSS em Lisboa. O Capitão-de-fragata Henrique da Silva Horta é nomeado Governador-geral de Cabo Verde.
  • ​14 de Agosto: Começa a circular, nas Unidades militares, um documento assinado por mais de 200 oficiais, conhecido como “Documento Hugo dos Santos/Engrácia Antunes", que visava restringir a utilização de militares em funções não militares e promover a sua utilização de preferência no enquadramento das Unidades. Em resposta, o COPCON coloca os quartéis de prevenção, a 24-25 desse mês.
  • 28 de Agosto:, Secretário-geral do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), exorta os residentes a reivindicar a independência total.
  • 01 de Setembro: Governo indonésio proclama não ter pretensões territoriais relativamente a Timor-Leste. Nesse mesmo dia, o partido APODETI, pró-Indonésia, pronuncia-se em Díli pela sua integração.
  • 06 de Setembro: Reunião de delegados da Força Aérea em Monsanto onde é aprovada uma Comissão de Coordenação e “a necessidade do desmantelamento urgente da máquina fascista".
  • 07 de Setembro: Assinatura em Lusaka, entre o Governo português e a Frelimo, do acordo de cessar-fogo e para a transferência de poder em Moçambique. 
  • 09 de Setembro: Dirigentes de partidos de direita decidem convocar uma manifestação de “maioria silenciosa" em resposta a um apelo do General Spínola.
  • 10 de Setembro: Portugal reconhece a independência da Guiné-Bissau. No dia seguinte, o PAIGC assume o poder.
  • 19 de Setembro: Surgem, em Lisboa, os primeiros cartazes da “Maioria Silenciosa".
  • 21 de Setembro: Tomada de posse do novo Governador-geral de Cabo Verde, Vicente de Almeida d'Eça.
  • 22 de Setembro: Criado o Conselho dos Vinte, como Conselho Superior do MFA. Órgão destinado a garantir o rumo da Revolução, discutindo planos económicos e de descolonização e a definição das políticas do país. Era constituído pelos 7 militares da JSN, 7 da CC/MFA, os 5 ministros do MFA e o Comandante Adjunto do COPCON. vigorou entre Outubro de 1974 e Março de 1975.
  • 24 de Setembro: Portugal reconhece a soberania da Índia sobre os territórios de Goa, Damão e Diu.
  • 27 de Setembro: Véspera da “Maioria Silenciosa", em apoio das políticas do General Spínola. A Guarda Nacional Republicana (GNR)[3] encerra as rádios e antenas emissoras[4]. Acusada de manter uma atitude passiva ou mesmo ambígua face à tentativa de golpe do dia seguinte, ficará fragilizada. Alguns dos seus quadros, entre os quais o comandante, General António Freire Damião, foram afastados[5] ou vigiados e a confiança do MFA na instituição diminuiu significativamente. Motivaria um processo de reestruturação e depuração interna, como parte do processo de consolidação da ala revolucionária no poder. O COPCON, juntamente com unidades militares leais ao MFA e populares, montaram um dispositivo de bloqueio que impediu a chegada dos manifestantes para o dia seguinte. Vários autocarros foram intercetados e obrigados a regressar aos seus pontos de origem. Ao mesmo tempo, aquele comando iniciou a captura e prisão de “potenciais implicados". A Polícia de Segurança Pública (PSP), vista desde o 25 de Abril de 1974 como uma força com ligações ao regime anterior[6], manteve-se afastada de quaisquer operações militares directas, assumindo um papel passivo de contenção civil e limitada na sua intervenção operacional. Tal como a GNR, eram entendidas pelo MFA de não ser confiável num momento crítico do processo revolucionário.
  • 28 de SetembroGolpe de 28 de Setembro de 1974. Prova de força entre as forças revolucionárias e conservadoras, foi o primeiro grande momento de tensão política durante o conturbado processo de transição democrática. Tratou-se de uma tentativa, frustrada, de mobilização de forças conservadoras e moderadas, numa grande manifestação de apoio ao então presidente da República, que se opunha ao rumo radical da Revolução, condenando os “desvios ao Programa do Movimento das Forças Armadas, os atropelos extremistas cometidos, a confusão de descolonização com abandono precipitado"[7]Após o fracasso desta tentativa de mobilização, houve um reforço do controlo interno nas Forças Armadas, afastando ou vigiando oficiais considerados próximos de Spínola ou da ala conservadora. Controlo que reforçou o domínio do MFA e da ala revolucionária sobre o aparelho militar. Com a consolidação da posição do MFA, iniciou-se uma purga interna nas chefias militares, afastando generais e oficiais considerados moderados ou conotados com a direita. Foi a consolidação do poder por parte de militares próximos da esquerda revolucionária, sobretudo ligados ao COPCON, que se tornaram instrumento de controlo político-militar da revolução, e à “linha Otelo", com a nomeação de oficiais da confiança do MFA para cargos-chave. No Norte, onde o ambiente era mais hostil à revolução, o MFA reforçou a vigilância através do Major Eurico Corvacho, temendo reacções das elites e de sectores militares mais conservadores. Crescia, assim, a divisão no seio das Forças Armadas e os confrontos políticos em reuniões militares. A disputa pelo controlo de quartéis acentuava o risco de confronto militar. 
  • 30 de Setembro: O General Spínola apresenta a demissão da Presidência da República, marcando um ponto de viragem no processo revolucionário português, com o fortalecimento da influência da radicalização de esquerda, em particular do PCP e de sectores militares mais radicais. Opera-se uma recomposição da JSN, com a saída de Spínola e as demissões de Jaime Silvério Marques (igualmente de CEME), Diogo Neto (também de CEMFA) e de Galvão de Melo. O General Francisco da Costa Gomes foi, então, designado Presidente da República pelos remanescentes membros. A 15 de Outubro, passaram a integrar a JSN o Tenente-coronel de Infantaria Carlos Alberto Idães Soares Fabião, Tenente-coronel de Engenharia Nuno Manuel Guimarães Fisher Lopes Pires, Tenente-coronel Pilav. Narciso Mendes Dias, Tenente-coronel Pilav. Aníbal José Coentro de Pinho Freire e o Capitão-de-mar-e-guerra Silvano Ribeiro, interinamente, enquanto durou o impedimento do Vice-Almirante Rosa Coutinho, ao tempo Alto-Comissário em Angola. O contexto político-militar abriu caminho para o III Governo Provisório de Vasco Gonçalves, que toma posse no dia seguinte.
  • 03 de Outubro: Governo português reconhece o MLSTP como único e legítimo representante de São Tomé e Príncipe.
  • 15 de Outubro: Últimas forças nacionais abandonam a Província da Guiné.
  • 16 de Outubro: Graduado em General de quatro estrelas, Carlos Fabião é nomeado CEME e o General graduado Narciso Mendes Dias CEMFA.
  • 21 de Outubro: Cessar-fogo em Angola com o MPLA. 
  • 23 de Outubro: Anúncio do início das Campanhas de Dinamização Cultural, coordenadas pela Comissão Dinamizadora Central (CODICE), integrada na 5ª Divisão do EMGFA.
  • 27 de Outubro: Reúne, pela primeira vez, o Conselho Superior do MFA, conhecido como Conselho dos Vinte.
  • 01 de Novembro: Distribuído pelas unidades e estabelecimentos militares um panfleto intitulado “O Povo português acusa", assinado pela Comissão das Forças Armadas Portuguesas, cuja figura mais destacada é o General Tavares Monteiro.
  • 02 de Novembro de 1974: A Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC), que exigia a independência total e imediata de Cabinda, aciona as Tropas Especiais[8], iniciando confrontos com o MPLA, com envolvimento das tropas portuguesas, sendo o Governador português General Themudo Barata, feito prisioneiro.
  • 10 de Novembro: A FLEC desencadeia um ataque às forças portuguesas.
  • 18 de Novembro: aterra em Díli-Timor-Leste, o Coronel graduado Mário Lemos Pires, empossado Governador e Comandante-chefe pelo Presidente da República. Substituiu na função o Coronel Fernando Alves Aldeia, exonerado a 12 deste mês.
  • 26 de Novembro: O Governo português e o MLSTP assinam o acordo, em Argel, para a independência de São Tomé e Príncipe. O Governo de transição tomará posse a 21 de Dezembro e o então Governador, Coronel Pires Veloso, assume o cargo de Alto-Comissário.
  • 19 de Dezembro: Assinatura entre o Governo português e o PAIGC, em Lisboa, do acordo com vista à independência de Cabo Verde.
  • 28 de Dezembro: Reunião da Assembleia dos 200 no Instituto de Sociologia Militar.
  • Carta dos Cadetes da EPI ao Presidente e ao CEMGFA, contra a decisão do CEME de passá-los ao Contingente Geral após incidentes com o comando daquela unidade.
  • 31 de Dezembro: Primeira conferência de imprensa da CC/MFA.

ANO DE 1975

  • Janeiro: Traduzindo um descontentamento alargado, os oficiais da Escola Prática de Cavalaria de Santarém (EPC) aprovam uma moção de desconfiança relativamente à CC/MFA, subscrita por vários oficiais de outras unidades, criticando as políticas que deterioram a hierarquia militar formal.
  • 10 de Janeiro: Acordos do Alvor entre Portugal e o MPLA, FNLA e UNITA para a independência de Angola.
  • 17 de Janeiro: Nomeado a 16 de Novembro de 1974, chega a Lisboa o novo embaixador dos EUA Frank Carlucci. Fim da “Operação Nortada", primeira das campanhas de dinamização cultural levada a cabo pela 5.ª Divisão.
  • 18 de Janeiro: Realiza-se um plenário de 800 oficiais da Armada, reivindicando que “o MFA elabore legislação revolucionária destinada a consolidar o avanço do processo democrático".
  • 20 de Janeiro: Coligação entre a UDT e a FRETILIN, sob mediação do Governo de Díli. Os acordos firmados espelhavam a vontade dos timorenses e indiciava que os dois partidos conduziriam Timor-Leste à independência. Assim não aconteceria.
  • 28 de Janeiro: General Silva Cardoso da FAP substitui o Vice-Almirante Rosa Coutinho como Alto-Comissário em Angola, que tinha sido vetado pela FNLA.
  • 30 de Janeiro: A NATO realiza manobras junto à costa portuguesa, operação – “Locked Gate".
  • 31 de Janeiro: Toma posse, em Luanda, o Governo de transicção de Angola, constituído por representantes de Portugal, MPLA, FNLA e UNITA.
  • 2 de Fevereiro: Entrada da esquadra da NATO no Tejo.
  • 6 de Fevereiro. Reunião da Assembleia dos 200 que decide a institucionalização do MFA. Aprovada em assembleia geral de 17 de Fevereiro, o MFA tem a prerrogativa de contactos com as forças políticas.
  • 22 de Fevereiro: O COPCON recebe um relatório secreto oriundo da Região Militar do Norte (RMN) com a notícia da preparação de um golpe militar.
  • 25 de Fevereiro: O Almirante Silvano Ribeiro toma posse como Ministro da Defesa.
  • 27 de Fevereiro: Reunião preparatória do MFA com vista ao controlo de previsível golpe spinolista.
  • 3-8 de Março: Decorrem as eleições para os Conselhos das Armas e Serviços do Exército, não sendo eleitos alguns destacados oficiais do MFA.
  • 07 de Março: Reunião sigilosa de Spínola com diversos elementos, preparando-se uma acção militar[9].
  • 10 de Março

– 02:15h: Spínola é informado sobre a “Operação Matança da Páscoa", um alegado plano do PCP e dos militares mais radicais do COPCON e da 5.ª Divisão para realizar uma campanha de assassinatos políticos, onde ele e os seus apoiantes constavam como alvos.

– 21:30h: Spínola parte para a BA 3 de Tancos, comandada pelo Coronel Moura dos Santos, reunindo-se com o Regimento de Caçadores Paraquedistas (RCP), comandado pelo Coronel Rafael Durão. Não havendo ainda um plano de operações 'formalizado', nem certeza sobre quais as unidades militares que iriam participar, procura-se, ainda, a adesões ao golpe.

– 22:30h: O Brigadeiro Francisco José de Morais, comandante da Região Militar de Tomar, desloca-se a Santarém, encontrando-se com o Coronel Alves Morgado, comandante da Escola Prática de Cavalaria (EPC), tentando aliciá-lo, sem sucesso, à adesão pretendida. 

– 23:15h: Nova insistência, através de contacto telefónico, do Brigadeiro Morais, junto do Coronel Alves Morgado. O encontro tem lugar junto ao Café Central, onde o Coronel Morgado não denuncia as intenções na sua unidade.

  • 11 de Março

– 00h: Começam a chegar à BA 3 os elementos que se reúnem em casa do Major Martins Rodrigues.

– 01:40h: É montado um sistema de segurança da Unidade e é regulada a entrada de vários elementos que iam chegando.

– 02h: Com a presença dos principais responsáveis pelo golpe, é feito o ponto da situação e o planeamento das operações a desencadear durante a manhã.

– 02:30h: Os Coronéis Moura dos Santos e Orlando Amaral contactam o comando da 1.ª Região Aérea.

– 08h: O comandante da BA 3, Coronel Moura dos Santos, reúne com oficiais e sargentos, informando-os do que se irá passar.

– 08:30h: No RCP, o comandante, Coronel Rafael Durão, coloca a unidade sobre prevenção rigorosa e reúne com os oficiais e sargentos, diligência que efectuará, de novo, cerca das 09h, apenas com oficiais, informando-os sobre a operação que vai desenrolar-se e das forças que iriam ser empenhadas.

– 09h: A principal força que iria desencadear o ataque ao RAL 1 – aviões T-6 Harvard, helicópteros e heli-canhões – são municiados na BA 3. 

– 09:30: O Coronel Rafael Durão ordena, via telefónica, que a companhia de paraquedistas destacada em Lisboa no DGAFA, comandada pelo Capitão Silva Pinto, seja deslocada para o Aeroporto, onde lhe compete assegurar a defesa do mesmo, e que a companhia de paraquedistas destacada na BA 6 garanta a defesa da Unidade, na qual iriam aterrar e abastecer as aeronaves empenhadas no golpe, com excepção dos aviões Nord-Atlas.

– 9:40h: Na BA 6 (Montijo), o comandante, Coronel Moura de Carvalho, dá ordem para que todos os meios da unidade entrem em alerta.

– 10:30h: Sai do RCP um grupo de combate de 40 homens, comandados pelo Capitão Sebastião Martins, que é helitransportado, da Base Aérea N.º 3, para Lisboa, tendo como missão efectuar um heliassalto às instalações do RAL 1, com desembarque a «varrer» no interior desta Unidade, após o bombardeamento da mesma por aviões T-6 e helicanhões.

– 10:45h: Descolam da BA 3 dois T6 armados, tripulados pelo Major Neto Portugal e o 2.º Sargento Moreira, com o objectivo de bombardear o RAL 1, as antenas da RTP e o Forte do Alto do Duque.

– 11h: Descolam 10 Allouettes III, transportando o grupo de 40 paraquedistas. Dois dos helicópteros estão armados com canhão e têm como missão o bombardeamento do RAL 1.  Sai da BA 3 uma companhia com 120 homens, comandados pelo Capitão Augusto Martins, acompanhada pelo do comandante das forças empenhadas, Major Mensurado, transportada em três aviões Nord-Atlas para Lisboa, com a missão de efectuar o cerco ao RAL 1, imediatamente após o assalto (desembarque no interior deste do grupo helitransportado). Levantam, igualmente, dois T6 para voos de intimidação. O Tenente-coronel Almeida Bruno dirige-se ao comandante do Batalhão de Comandos na Amadora, Major Jaime Neves, comunicando-lhe o ataque iminente ao RAL 1 e atribuindo-lhe as missões de ocupação da Ponte sobre o Tejo, das instalações do Rádio Clube Português e bloqueio a qualquer movimento de tropas do Regimento de Infantaria 1 (RI 1). Jaime Neves decide não participar no golpe depois de saber que a EPC não se envolveria. Igualmente no Regimento de Cavalaria 7 (RC 7), o Coronel Alberto Ferreira é contactado pelos camaradas Manuel Soares Monge e António Picão de Abreu, tendo-se recusado a participar no golpe até que a situação se clarificasse. Mais a Sul, o Major Morais Jorge e os Tenentes-coronéis Vasco e Carlos Simas procuram aliciar, sem sucesso, o Major Andrade Moura, 2.º Comandante do RC 3, em Estremoz, comunicando-lhe a iminência de um golpe militar por antecipação à “matança da Páscoa".

– 11:15h: A BA 6 entra em prevenção rigorosa.

– 11:20h: O Coronel Amaral e o Tenente-coronel Quintanilha chegam à BA 5 de Monte Real, de Aviocar, vindos de Tancos, onde solicitam ao comandante, Coronel Naia Velhinho, a saída de aviões F-86F para efectuar voos de intimidação sobre Lisboa. Os aviões já estavam preparados para levantar voo por ordem do Coronel Proença e do próprio General Mendes Dias (CEMFA), mas o comandante da base não autoriza a sua partida imediata.

– 11:30h: Todas as Unidades da Força Aérea estão de prevenção rigorosa.

– 11:45h: Deslocam-se à BA 3, de helicóptero, o Brigadeiro Lemos Ferreira e o Tenente-coronel Sacramento Marques, como delegados do CEMFA e CEME, para tentarem esclarecer a situação.

– 11:55h: Os dois aviões T-6 e quatro helicópteros, incluindo dois Alouette III helicanhão de ataque, sobrevoam e atacam o quartel do RAL 1, comandado pelo Tenente-coronel Francisco Leal de Almeida, com rajadas de metralhadora, foguetes ar-terra anti-pessoal SNEB e granadas de helicanhão[10]. Pouco depois, paraquedistas ocupam o Aeroporto da Portela. A companhia operacional do RAL 1 (BO 88), liderada pelo 2.º Comandante, Major Diniz de Almeida, debaixo de fogo, procede à ocupação imediata de três edifícios de 10 andares, situados em frente ao quartel, o que permite detectar e rechaçar os paraquedistas comandados pelo Capitão Sebastião Martins e Major Mensurado, que tinham a missão de tomar o quartel[11]. Saiu ainda uma secção blindada que furou o cerco montado pelas forças sitiantes e se dirigiu ao DGMG. Civis começam a acorrer ao RAL 1 e a serem armados pelos defensores.

– 12:00h: No Quartel do Carmo, convencidos de que na Operação Matança da Páscoa estariam envolvidos muitos elementos da GNR, oficiais da Guarda (Capitão Inf. Lopes Mateus e sobretudo militares do Regimento de Cavalaria da GNR, comandado pelo Major Simões Pereira[12] e do qual o insurrecto Tenente-coronel Fernando Xavier de Brito[13]assume o comando) e ex-militares da mesma, comandados pelos General António Freire Damião e Major João António Rosa Garoupa[14], prendem o Comandante-geral, General José da Silva Pinto Ferreira[15], e outros oficiais que se recusaram a participar na rebelião[16].

– 12:05h: O COPCON inicia movimentos militares para evitar o golpe, deslocando forças para a Portela.

– 12:20h: Da BA 3 deslocam dois helitransportadores e um helicanhão com destino ao emissor do Rádio Clube Português no Porto Alto. Meia hora depois, a emissão desta estação em onda média fica interrompida.

– 12:45h: No exterior do RAL 1, o Capitão de Artilharia Dinis de Almeida e o Capaitão Paraquedista Sebastião Martins dialogam acerca dos motivos do assalto ao quartel.

– 12:50h: A 5.ª Divisão do EMGFA emite um comunicado a todas as Forças Armadas e de Segurança apelando a todas as unidades para destruir as forças rebeldes contra-revolucionárias.

– 13h: Descolam 2 aviões T-6 pilotados pelos Segundo-sargento Gomes da Silva e furriel Falcão, armados com metralhadoras e ninhos de foguetes antipessoal com missão de ataque ao RAL 1. O General Spínola tenta aliciar o Major Jaime Neves, comandante do Batalhão de Comandos 11, que lhe responde só obedecer à hierarquia a que está sujeito: o COPCON, com quem aliás já tinha estado em contacto. Spínola procura, ainda, falar com o Tenente-coronel Almeida Bruno que está presente, mas que se furta à conversa. O General procura estabelecer igualmente contacto com o Tenente-coronel Ricardo Durão tentando obter, por via deste e do Capitão Salgueiro Maia, o envolvimento da EPC, mas o telefonema não é atendido. Verifica-se o cessar-fogo no RAL 1. O Major Mensurado dirige-se ao COPCON para dialogar.

– 13:10h: A Emissora Nacional (EN) interrompe a programação e passa a transmitir directamente do Centro de Esclarecimento e de Informação Pública da 5.ª Divisão do EMGFA, aconselhando a população de Lisboa a manter-se calma e vigilante em união com o MFA e seus órgãos.

– 13:20h: O Major Rosa Garoupa telefona ao Major Casanova Ferreira, comandante da PSP de Lisboa, a solicitar-lhe a ocupação da Rádio Renascença (RR), para que pusesse «no ar» esta Emissora (na altura em greve) para aí serem transmitidos os comunicados dos insurrectos, acção que se não se verificou. 

– 13:22h: Na BA 5, o comandante dá finalmente autorização a uma parelha de F-86, comandada pelo Major Ayala, para a missão de intimidação. Sobrevoam a base do RAL 1, a Avenida da Liberdade e o Forte do Alto do Duque, onde recebem fogo dos defensores, sem grandes danos reportados.

– 13:30h: É dado pela EN o primeiro comunicado da 5.ª Divisão: «Vamos dar uma notícia concreta: 2 aviões e 2 hélis atacaram o R. A. L. 1, unidade afecta e fundamental do M. F. A. Este ataque foi cerca das 12 horas. Portanto, são elementos pára-quedistas e outros elementos das Forças Armadas que se sublevaram contra a ordem democrática instaurada desde o 25 de Abril. Mais uma vez o M. F. A. e o POVO devem e têm de estar unidos, alerta e vigilantes contra estas manobras que não podem vingar de maneira nenhuma. Acreditamos e estamos confiantes e pedimos a vigilância popular em união com os órgãos representativos do M. F. A., nomeadamente a sua Comissão Coordenadora, 5.ª Divisão do E. M. G. F. A., e Comandante-Adjunto do COPCON, Brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho». Sai da BA 3 outra companhia de paraquedistas com 100 homens, transportada em aviões Nord-Atlas e Aviocar, comandada pelo Capitão Bação da Costa Lemos. Têm como missão, em Lisboa, reforçar a companhia anterior no AB 1 com 75 homens e assegurar a defesa da BA 5 (25 homens). Spínola contacta Jaime Neves e Ricardo Durão (2.º comandante da EPC, e irmão de Rafael Durão que participa no golpe) que negam de novo aderir ao golpe.

– 14:15h: Um pelotão de 5 moto-blindados Shorland saem do RC da GNR, no Cabeço de Bola, para fazer escolta para o Carmo ao General Damião.

– 14:25h: Sai outro pelotão da GNR, que tenta ocupar a antena da Rádio e Televisão Portuguesa (RTP) em Monsanto, sendo impedidos por forças do COPCON. 

– 14:30h: Descolam para Lisboa 2 aviões T-6 armados com metralhadoras e ninhos de foguetes antipessoal, pilotados pelos Segundo-sargento Jordão e Segundo-sargento Carvalho, tendo por missão de ataque objectivos não apurados e intimidação da população.

– 14:35h: O Tenente-Coronel Quintanilha, que se havia ausentado da BA 5 para a BA 3, frustrada a descolagem imediata dos F-86, regressa no Aviocar que transportava 25 paraquedistas, que não chegam a aterrar. Quintanilha ameaça que os paraquedistas ocupariam a base caso se verificasse hostilidade aos propósitos das suas ordens superiores. Sargentos da base tentam então prendê-lo, mas retira-se de helicóptero.

– 14:45h: Dois pelotões do Batalhão de Infantaria N.º 1 da GNR saem com a missão de controlarem as Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento (OGFE), em Santa Clara, e os Serviços de Intendência da GNR, na Graça, falhando ante a oposição dos serviços de segurança das instalações.

– 14:45h: A EN transmite um comunicado do gabinete do Primeiro-Ministro: “A aliança entre o Povo e as Forças Armadas demonstrará, agora como sempre, que a revolução do PREC é irreversível." Em resposta, sai de Tancos um helicóptero incumbido de destruir a antena da EN, que não cumpre a missão.

– 15h: Soldados e sargentos da BA 3 rebelam-se contra os seus oficiais e arrombam algumas das viaturas, das quais retiram armamento, sobretudo pistolas-metralhadoras. Spínola e seus apoiantes dirigem-se para o RCP de helicóptero. 

– 15:15h: A pedido do comandante da BA 3, é destacada uma companhia de paraquedistas comandada pelos Capitães Albuquerque Pinto e Valente dos Santos, tendo como missão neutralizar o movimento das praças e sargentos sublevados. A grande maioria dos paraquedistas que atacaram o RAL1 depõem as armas e juntam-se aos camaradas daquela Unidade.

Com os pilotos ainda alheios aos últimos desenvolvimentos, T-6 em missão de apoiar o golpe continuam a descolar.

– 16:20h: O General Spínola escapa num grupo de 4 helicópteros Alouette IlI para a Base Aérea de Talavera La Real, em Espanha, na companhia de Mira Godinho e Rebordão de Brito, entre outros. Alpoim Calvão e outros elementos saem de carro rumo à fronteira.

– 17h: Os revoltosos rendem-se no Carmo e a situação na GNR é resolvida, aparecendo o General Pinto Ferreira à janela do Carmo, já livre.

No gabinete do General Mendes Dias (CEMFA), o diálogo entre os comandantes do RAL 1 e dos paraquedistas atacantes está em impasse. Um oficial enviado pelo COPCON declara ter instruções para prender o oficial paraquedista se ele decidir continuar as hostilidades. Face à ameaça, o Major Mensurado rende-se e, consigo, os demais revoltosos no RAL 1.

– 20h: É lida a mensagem de Costa Gomes com o anúncio da lista dos implicados no que é intitulado de “aventura reaccionária". O dia estava ganho para as forças de esquerda.

  • 11-12​ de Março: Nessa mesma noite, ocorreu no Instituto de Defesa Nacional, com a presença de mais de 200 oficiais, aquela que ficará conhecida como a “assembleia selvagem do MFA", dirigida pelo Presidente da República, estando também presentes o Primeiro-ministro, Vasco Gonçalves, assim como os restantes membros do Conselho dos Vinte. Durante oito horas e meia, analisou-se e discutiu-se a tentativa de golpe militar e como se deveria lidar com os implicados, chegando a ser proposta pena de morte para alguns. Tomaram-se decisões cruciais como a nacionalização da banca, dos seguros, da indústria pesada e a intensificação da reforma agrária. Decidido, ainda, a importância política das assembleias do MFA e a criação de um novo órgão de soberania composto por militares – o Conselho da Revolução[17] – que substituiria a Junta de Salvação Nacional e o Conselho de Estado (extintos), assumindo todos os seus poderes, com um papel central na condução política do país. Era a radicalização do p​rocesso revolucionário. Seguiu-se a purga nos quartéis, especialmente contra os sectores moderados e conservadores do Exército e a repressão dos golpistas, sobretudo na Força Aérea, que esteve em risco de extinção[18].
  • 17 de ​Março: Tomada de posse dos 25 membros do Conselho da Revolução. Francisco Costa Gomes é o Presidente, em simultâneo com a chefia do Estado e das Forças Armadas. Define o CR como o “motor da Revolução".
  • 18 de Março: Realiza-se uma assembleia de milicianos da Força Aérea.
  • 21 de Março: Primeiros confrontos armados em Luanda entre tropas do MPLA e da FNLA.
  • 24 de Março: Spínola e militares afectos foram presos ou afastados das Forças Armadas[19] seguindo-se muitas dezenas mais. Começa o “Verão Quente de 1975", período de profunda instabilidade política e social após o fracasso do golpe de 11 de Março. Resultou da radicalização do Processo Revolucionário em Curso (PREC) e das tensões acumuladas entre diferentes correntes políticas e militares, tomando estes partido em ocupações de terras ou em confrontos políticos em Lisboa e no Norte.
  • 26 de Março: Tomada de posse do IV Governo Provisório, o terceiro presidido por Vasco Gonçalves. Melo Antunes substitui Mário Soares na pasta dos Negócios Estrangeiros.
  • 27 de Março: Criação dos Gabinetes de Dinamização da Unidade (GDU) e das Assembleias da Unidade (ADU). 
  • 31 de Março: Criação do Instituto de Apoio aos Retornados Nacionais (IARN).
  • 07 de Abril: A Assembleia do MFA confirma a “via socialista da revolução".
  • 11 de Abril: Assinado por 7 partidos o Pacto MFA-Partidos, plataforma de acordo institucional a integrar na futura Constituição. Os partidos políticos comprometem-se a reconhecer ao MFA a condução do PREC[20].
  • 25 de Abril: Eleição dos deputados à Assembleia Constituinte: PS 37,9% (116 deputados); PPD 26,4% (81 deputados); PCP 12,5% (30 deputados); CDS 7,6% (16 deputados); MDP 4,1% (5 deputados); UDP 0,8% (1 deputado). As forças revolucionárias de esquerda obtiveram menos de 1/5 do apoio popular.
  • 28 de Abril: Violentos combates nos bairros de Luanda entre o MPLA e a FNLA, causando milhares de mortos. A violência armada tornou-se recorrente e descontrolada, iniciando o êxodo em larga escala de cidadãos portugueses radicados em Angola.
  • 01 de Maio: Criado o Regimento de Comandos (RCmds), sob comando do Coronel Jaime Neves.
  • 05 de Maio: A 5.ª Divisão advoga para Portugal medidas similares às do Leste europeu.
  • 07 de Maio: A FLEC reclama junto da ONU e da OUA o fim da ocupação 'ilegal' de Cabinda por tropas luso-angolanas.
  • 12 de Maio: Em Angola, os confrontos militares internos alastram para Nova Lisboa (Huambo) entre o MPLA e a UNITA.
  • 19 de Maio: O CR determina que Portugal mantenha uma atitude de “neutralidade activa" face ao conflito em Angola.
  • 25 de Maio: O General Morais e Silva é nomeado CEMFA.
  • 27 de Maio: Ocupação da RR por militantes da esquerda revolucionária. Surge o Documento dos Operacionais do COPCON da RML que concentram poderes na pessoa de Otelo.
  • 28 de Maio: Vasco Gonçalves é promovido a General e Otelo graduado também em General.
  • 31 de Maio: A FLEC constitui um autoproclamado governo de Cabinda.
  • 07 de Junho: Surgem os Comités de Defesa da Liberdade (CDL), que difundem panfletos entre militares do QP. O seu principal impulsionador é o Coronel Soares Carneiro.
  • 14 de Junho: Roubo de armas do Campo de Instrução Militar de Santa Margarida: vinte e uma G3, seis pistolas-metralhadoras e duas metralhadoras ligeiras.
  • 19 de Junho: O CR aprovava o Plano de Ação Política (PAP)[21], documento que definia o rumo da revolução e articulava as diferentes posições no seio do MFA. 
  • 25 de Junho: Arrear da Bandeira Nacional no Estádio da Machava, em Lourenço Marques. Independência de Moçambique.
  • 29 de Junho. Os EUA auxiliam oficialmente a FNLA em Angola. Entretanto, o mesmo já acontecia com a URSS em relação ao MPLA e a África do Sul à UNITA.
  • 05 de Julho: Proclamação da independência de Cabo Verde.
  • 08 de Julho: A Assembleia do MFA aprova o Documento-Guia da Aliança Povo-MFA, defendendo-se o MFA como movimento de libertação do país. Os oficiais moderados criticam o documento.
  • 10 de Julho: Chegam a Lisboa os últimos contingentes militares portugueses que prestavam serviço em Moçambique.
  • 12 de Julho: Independência de São Tomé e Príncipe.
  • 15 de Julho: Publicação da Lei 7/75 que reafirma o direito do povo de Timor-Leste à autodeterminação e independência.
  • 17 de Julho: Publicado o Manifesto do Conselho Revolucionário de Trabalhadores, Soldados e Marinheiros, onde participam elementos do RAL 1, em blindados, dando vitórias à ditadura do proletariado. Início da ponte aérea entre Luanda e Lisboa.
  • 19 de Julho: Enorme adesão popular ao comício do PS na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, onde Mário Soares pede o afastamento de Vasco Gonçalves da chefia do Governo.
  • 21 de Junho: Visita de Otelo a Cuba a convite de Fidel Castro, onde permanece durante uma semana. Regressa imbuído de ser o arauto do socialismo revolucionário em Portugal.
  • 23 de Julho: Em sinal contrário à situação que tomara conta das Forças Armadas, decorre na EPI uma reunião da Arma de Infantaria, que aprova a natureza consultiva da Assembleia do MFA, a substituição de Vasco Gonçalves e a extinção da 5.ª Divisão.
  • 25 de Julho: Depois de a FNLA ser barrada pelo MPLA a 60km de Luanda, Holden Roberto declara, em Kinshasa, guerra total ao MPLA.
  • 26 de Julho: A assembleia do MFA cria o Directório, como cúpula do poder político, constituído pelo Presidente Costa Gomes, Primeiro-ministro Vasco Gonçalves e Comandante-adjunto do COPCON, Otelo Saraiva de Carvalho[22].
  • 31 de Julho: Três oficiais, liderados pelo Capitão José Marques Patrocínio, e cerca de uma dezena de sargentos, na grande maioria milicianos, com o apoio do PCP, tomaram conta do RCmds durante a madrugada, prenderam o 2.º Cmdt, Major Lobato de Faria e sanearam o Cmdt Jaime Neves e mais alguns oficiais e sargentos, proibindo-os de entrar na Unidade e elegendo como comandante interino o Major Miquelina Simões. No Porto é realizada uma reunião no QG/RMN, convocada pelo Comandante Brigadeiro Corvacho. A FLEC declara unilateralmente a independência de Cabinda, rejeitada por Portugal e os três movimentos angolanos.
  • 07 de Agosto: Publicação do Documento dos Nove[23]. Pelo facto, os oficiais do designado Grupo dos Nove foram suspensos do CR e o Documento condenado. É publicado na imprensa no dia seguinte.
  • 08 de Agosto: Tomada de posse do efémero V Governo Constitucional, ainda sob a liderança de Vasco Gonçalves. Otelo recusou-lhe apoio.
  • O comandante-adjunto do COPCON, General Otelo Saraiva de Carvalho, visita o QG/RMN, a convite do brigadeiro Corvacho, para uma reunião alargada com os delegados do MFA e representantes das Unidades.
  • Reunião dos Chefes de Estado-Maior dos ramos para discutir o castigo a aplicar aos subscritores do Grupo dos Nove.
  • 11 de Agosto: O Cmdt do RCmds convocou uma Assembleia Geral da Unidade, onde foi apresentado e discutido livremente o Documento dos Nove. Através de voto secreto, o Documento foi aprovado e adoptado por 66,2% dos votos expressos[24].
  • 12 de Agosto: O Conselho da Revolução cria o Tribunal Militar Revolucionário.
  • O COPCON apresenta o Documento Poder Popular, com o apoio do PRP/BR, do MES e da UDP.
  • A 5.ª Divisão, pela voz de Varela Gomes, ataca o Grupo dos Nove, que pretende colocar sobre a alçada dos regulamentos militares.
  • 16 de Agosto: O Governo português declara que Timor-Leste permanecerá sob administração portuguesa até Outubro de 1978, assumindo então a independência.
  • 17 de Agosto: Contestação dos oficiais e das unidades da RMN a Eurico Corvacho, que passam a depender da Região Militar do Centro (RMC).
  • 19 de Agosto: O CR demite Vasco Gonçalves das funções de Primeiro-ministro. É indigitando para o cargo o General Carlos Fabião, que acaba por não aceitar, sendo então escolhido o Contra-Almirante Pinheiro de Azevedo, que aceita formar o VI Governo Provisório – só tomaria posse em 19 de Setembro. 
  • 20 de Agosto: Início da guerra civil em Timor, entre a UDT e a Fretilin, perante a inoperância do Governo português de Díli.
  • Otelo proíbe Vasco Gonçalves de entrar nas unidades do COPCON.
  • 21 de Agosto: Embora se tenham publicamente apresentado a 6 de Setembro, surgem, no Norte do País, os Soldados Unidos Vencerão (SUV)[25], grupos que actuavam no interior dos quartéis com vista à auto-organização dos militares – uma organização clandestina no interior das Forças Armadas.
  • 22 de Agosto: Suspensa a vigência dos Acordos de Alvor.
  • 25 de Agosto: Na noite de 25 para 26, face à impotência perante a guerra civil em curso, o Governo e a guarnição militar portuguesa de Díli, sob comando do Coronel Lemos Pires, retiraram para a ilha de Ataúro, abandonando Timor à sua sorte, 'hasteando' na ilha a soberania portuguesa.
  • 26 de Agosto: CR extingue a 5.ª Divisão/EMGFA e reconduz o Brigadeiro Eurico Corvacho no comando da RMN.
  • 27 de Agosto: Elementos da CComandos 113/75, sob comando do Capitão Manuel Apolinário, ocupam e desmantelam a 5.ª Divisão.
  • 31 de Agosto: Recrudescimento das actividades do Exército de Libertação de Portugal (ELP) e do Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), organizações radicais de direita contra o MFA e a Revolução em curso.
  • O General Morais e Silva extingue o Gabinete de Coordenação do MFA.
  • 01 de Setembro: Entrada dos oficiais e sargentos “Comandos Convocados" no quartel da Amadora, assinando um contrato por seis meses.
  • 02 de Setembro: Reuniu na Escola Prática de Engenharia (EPE) a Assembleia de Delegados do Exército em Tancos, na qual foi manifestada a oposição à nomeação do general Vasco Gonçalves para CEMGFA, a exigência de uma recomposição no CR e na atribuição de lugares na Assembleia do MFA. Ficaria igualmente decidido que os delegados do Exército não compareceriam na Assembleia do MFA, onde seriam representados pelo CEME.
  • 05 de Setembro: Assembleia do MFA, em Tancos, a última, marcada pela oposição entre gonçalvista e o Grupo dos Nove. Vasco Gonçalves abdica da sua nomeação para CEMGFA, por pressão do Grupo dos Nove, e o CR é profundamente alterado[26].
  • 06 de Setembro: Transmissão dos SUV na RTP e no Rádio Clube Português.
  • 10 de Setembro: Desvio de 1.000 espingardas G-3 do Regimento de Polícia Militar.
  • 12 de Setembro: O Brigadeiro Pires Veloso toma posse como comandante da RMN. A queda de Eurico Corvacho, exonerado três dias antes, é o fim das aventuras do MFA a Norte. Pires Veloso revelar-se-á figura militar determinante na oposição a Norte ao 'esquerdismo militar militante'.
  • 19 de Setembro: Tomada de posse do VI Governo Provisório, chefiado pelo Almirante Pinheiro de Azevedo.
  • 21 de Setembro: Manifestação dos SUV no Porto, com 1.500 soldados fardados.
  • 24 de Setembro: Criada a Acção Revolucionária das Praças do Exército (ARPE).
  • 25 de Setembro: Criado o Agrupamento Militar de Intervenção (AMI), comandado pelo Brigadeiro Nuno Melo Egídio. Uma força operacional e disciplinada que “foi logo violentamente atacado pelos partidos de esquerda e até por elementos do MFA, que viam nela uma ameaça ao poder do então general Otelo"[27]. Manifestação dos SUV em Lisboa. Posteriormente outras ocorrerão pelo país, nomeadamente em Coimbra, a 9 de Outubro, e em Évora, a 18 desse mês.
  • 26 de Setembro: Governo retira ao COPCON os poderes de intervenção para restabelecimento da ordem pública.
  • 27 de Setembro: O Presidente da República Costa Gomes inicia visitas à Polónia e à URSS.
  • 28 de Setembro: Actuação da CComandos 113/75 na Embaixada e Consulado de Espanha, saqueados pela extrema-esquerda desde o dia anterior.
  • 01 de Outubro: Entrada dos praças “Comandos Convocados" no quartel da Amadora, começando imediatamente a sua preparação. Ficavam constituídas duas Companhias de “Comandos Convocados": a 121, comandada pelo Capitão Ferreirinha Gonçalves, e a 122, pelo Capitão Manuel Sampaio-Faria. Transferência, por Pires Veloso, de elementos do Centro de Instrução de Condutores-Auto do Porto (CICAP), unidade revolucionária que recusa a decisão, acusando-a de saneamento. A unidade será extinta.
  • 03 de Outubro: Uma delegação do Centro de Instrução de Artilharia Antiaérea de Cascais (CIAAC), apresenta-se no DGMG, em Beirolas, para levantar 3.000 G-3, levantando suspeitas, uma vez que o acordado era fornecer-lhes apenas 1.000 e 2.000 ao RIQ.
  • 06 de Outubro: Regimento de Artilharia da Serra do Pilar (RASP) ocupado por forças radicais de esquerda, SUV, militares do CICAP e de 18 outras unidades. A situação só seria normalizada, com a unidade a 'entrar' na cadeia de comando a 14. 
  • Uma corveta da Marinha portuguesa chega a Timor.
  • 07 de Outubro: Carlos Fabião e Otelo realizam uma reunião no RALIS com as unidades revolucionárias da RML. As unidades que se mantinham minimamente disciplinadas (RCmds, EPI, EPC e CIAAC) não marcaram presença.
  • 15 de Outubro: Final da ocupação do RAP 2 com a visita do CEME Carlos Fabião.
  • 16 de Outubro: Unidades militares da Indonésia tomam posições no interior de Timor-Leste, a partir da parte Ocidental da ilha.
  • 23 de Outubro: Chegam a Angola as primeiras tropas cubanas em apoio do MPLA. Inicia-se Batalha de Kifangondo, que durará até 10 de Novembro, em que as forças militares do MPLA derrotaram as da FNLA e asseguram a posse da capital.
  • 31 de Outubro: Termina a ponte aérea entre Luanda e Lisboa. Companhia de Paraquedistas de Tancos, na dependência do AMI, destrói, com recurso a explosivos, os emissores da RR na Buraca.
  • 08 de Novembro: Os Paraquedistas, numa atitude de revolta, pedem para ser colocados à ordem do COPCON.
  • Uma ponte aérea e naval soviética desembarca tropas cubanas em Luanda.
  • 09 de Novembro: Manifestação popular de apoio ao Governo de Pinheiro de Azevedo, na Praça do Comércio em Lisboa.
  • 10 de Novembro: De madrugada dá-se o arrear da Bandeira Nacional na Fortaleza de São Miguel, em Luanda. As últimas tropas portuguesas deixam Angola, embarcadas nos navios Niassa e UíjeOs Paraquedistas de Tancos revoltam-se, aprovando uma moção de repúdio pela “Operação Rádio Renascença", o que faz com que 123 Oficiais abandonem a Base-Escola de Tropas Paraquedistas (BETPQ) e se apresentem no Estado Maior da Força Aérea, que os coloca em Cortegaça.
  • 11 de Novembro de 1975: Proclamação da independência de Angola: pelo MPLA em Luanda, a FNLA no Ambriz e a UNITA no Huambo. A guerra civil agudiza-se.
  • 12-13 de Novembro: Cerco da Assembleia Constituinte por milhares de trabalhadores, sobretudo da construção civil, impedindo deputados e o Primeiro-ministro Pinheiro de Azevedo de sair durante cerca de 36 horas.
  • 14 de Novembro: Legalizada a Associação de Comandos.
  • 15 de Novembro: Reunião do Grupo Militar e Grupo dos Nove nas Laranjeiras, Lisboa.
  • 17 de Novembro: O Chefe do Estado Maior da Força Aérea (CEMFA), General Morais e Silva, extingue administrativamente a Unidade de Paraquedistas em Tancos. O Coronel Calheiros retira-se da BETPQ por ordem do general CEMFA e entrega o comando ao Major Pessoa, oficial mais antigo. Os militares, que ali permaneciam, recusam-se a abandonar as instalações. 
  • 18 de Novembro: Auto-suspensão do VI Governo Provisório.
  • Extinção do Agrupamento Militar de Intervenção (AMI)[28].
  • 20 de Novembro: O CR nomeia o Brigadeiro graduado Vasco Lourenço como comandante da RML, demitindo Otelo, o que origina crispação entre facções. O CEMFA determina a passagem a licença registada de 1.200 Paraquedistas de Tancos. Durante o plenário efectuado no Forte do Alto do Duque, o COPCON apoia a luta dos paraquedistas e promete ajuda material. O Depósito Geral de Adidos da Força Aérea (DGAFA) recebe também apoio material do RALIS. Realizam-se ainda plenários de praças em Tancos e no Montijo. Em moção conjunta, decide-se o repúdio das ordens de Morais e Silva, bem como todas as ordens emanadas do EMFA.
  • 21 de Novembro: No Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS) ocorre, ante o CEME Carlos Fabião, o Juramento de Bandeira de punho fechado, ante uma fórmula revolucionária, pelo socialismo em Portugal[29]Os Comandantes das unidades militares revolucionárias da RML afectas a Otelo, declaram apoio à sua continuação no Comando desta Região Militar.
  • 22 de Novembro: Vasco Lourenço desiste da sua nomeação para a RML. A FAP inicia a concentração de alguns meios aéreos na Aeródromo de Manobra N.º 1 (AM 1), de Cortegaça. Otelo autoriza a distribuição de armas e munições a militares e civis. É anunciada a criação da Organização Revolucionária de Sargentos (ORS). O 1.º e 2.º comandantes do RCmds, Jaime Neves e Lobato Faria, dão conhecimento a Costa Gomes da sua recusa em continuar integrados no COPCON, exigindo dependência directa ao CEMGFA.
  • 23 de Novembro: Atraca, no cais de Alcântara, o navio Niassa, que transportava o Batalhão de Caçadores Paraquedistas 21 (BCP 21) de Angola. Apesar da pressão exercida pelos Sargentos e Praças insurrectos de Tancos, o Tenente-coronel Heitor Almendra conseguiu fazer desembarcar todo o se​u pessoal e material e, em cumprimento a ordem do CEMFA, deslocá-los para a BA da Ota e, posteriormente, para a de Cortegaça.
  • 24 de Novembro: Na BETPQ, o Major Pessoa refere a necessidade de passar ao ataque. Verifica-se a presença e disponibilidade de Fuzileiros na Unidade, dispostos a participar nas operações. Na sequência do I plenário Nacional de Agricultores, em Rio Maior, são cortados os acessos a Lisboa.
  • 25 de Novembro de 1975

– 02h: A BETPQ levanta-se em armas. O Major Pessoa manda acordar o pessoal e chamar os que residiam no exterior, para formarem armados e equipados.

– 03h: O CR emite um comunicado confirmando Vasco Lourenço comandante da RML.

– 03:30h: Otelo chega ao COPCON após reunião no CR, informando que prescindira do lugar de comandante da RML. Costa Martins afirma que os paraquedistas, já em protesto contra o Chefe de Estado-Maior da Força Aérea, General Morais da Silva, não aceitam essa situação.

– 04:25h: Com ordem emanada do COPCON, início das operações para ocupação das bases aéreas, transmitida via rádio por um dos capitães presentes[30].

– 05h: Nova formatura dos paraquedistas na BETPQ. Desencadeia-se a operação. Os 1.º e 2.º pelotões são destinados à BA 5 (Monte Real) e os 3.º e 4.º pelotões à BA 2 (Ota).

– 06h: A BA 3 (Tancos) é ocupada por uma companhia comandada por Matos Serra. A BA 6 (Montijo) é ocupada por elementos Companhia de Caçadores Paraquedistas 122 (CCP 122). O RALIS montou um dispositivo militar nos acessos à auto-estrada do Norte, ao Aeroporto da Portela e no DGMG em Beirolas. Tropas da EPAM, ocuparam os estúdios da RTP e tomaram controlo das portagens da auto-estrada do Norte.

– 07h: O Grupo de Detecção, Alerta e Conduta da Intercepção (GDACI) de Monsanto é ocupado por uma força de 65 paraquedistas da companhia 121, aquartelada no Lumiar, comandados pelo Sargento Rebocho e com o apoio da Polícia Aérea ali de serviço. Os revoltosos detêm o comandante da 1.ª Região Aérea, General Pinho Freire. Em Monsanto, são reforçados com um Autopropulsado 8,8 proveniente do RALIS. Unidades navais zarpam do Alfeite.

– 08h: É ocupada a BA 5 (Monte Real).

– 09h/10h: Ocupação da BA 2 (Ota).

– 09h: Iniciada em Belém uma reunião de emergência para lidar com o golpe que está na rua, embora não sejam ainda totalmente conhecidos os contornos, nem a extensão do mesmo.  Começou a ser preparada a criação de um posto de comando secundário no Palácio de Belém (o posto de comando do Grupo Militar funcionava no Regimento de Comandos), dirigido pelo Presidente e coadjuvado por Vasco Lourenço e Rocha Vieira, Chefe do Estado-Maior do posto de comando. Foi apresentado a Costa Gomes o plano de operações, pelo Tenente-coronel Ramalho Eanes, comandante operacional do Grupo Militar.

– 10h: O Estado-Maior da Força Aérea é ocupado por elementos da Polícia Aérea e demitido o CEMFA. Almejava-se a neutralização dos meios aéreos e o controlo das comunicações da Força Aérea. Todavia, atempadamente, Morais e Silva gizara um plano de transferência de aviões para a AM 1 (Cortegaça), que os rebeldes não controlam.

– 13:35h: O EMGFA confirma os acontecimentos e alerta os revoltosos de que a força será utilizada se persistirem na sedição. A revolta é avaliada como de objectivo político mais vasto do que a simples contestação a Morais e Silva e a Pinho Freire. É o primeiro enquadramento legal das operações do Grupo Militar contra os revoltosos.

– 14h: Elementos da BETPQ ocupam a BA 2 (Ota); com destino à BA 8, Fiat's da Força Aérea sobrevoam as bases ocupadas; elementos do Regimento de Artilharia de Costa (RAC), em apoio aos paraquedistas, ocupam o Campo de Aviação de Tires. No Batalhão de Engenharia 3 (Tancos) são distribuídas armas a civis. O Regimento de Infantaria de Abrantes manifesta o seu apoio à revolta dos paraquedistas e coloca-se em prevenção rigorosa. O Regimento de Infantaria de Queluz (RIQ) recebe ordem do COPCON para atacar o RCmds. Fuzileiros reforçam a defesa do COPCON.

– 15h: Otelo Saraiva de Carvalho abandona o COPCON em direcção a Belém, para onde tinha sido chamado pelo PR, que coloca o COPCON sob o seu comando directo. Dada a concentração popular junto a unidades militares em Belém, trabalha-se para conseguir a desmobilização popular[31], numa altura em que se começava a cercar o Forte de Almada (onde existia um Destacamento Misto), o RCmds da Amadora, os fuzileiros do Alfeite e o RALIS, temendo-se a distribuição, nalgumas delas, de armas a civis. 

– 15:30h: Ramalho Eanes recebe luz verde para a execução do plano num documento escrito pelo Presidente da República e CEMGFA. 

– 16:30h: Costa Gomes decreta o estado de sítio na RML. 

– 17h: A EN é ocupada por tropas da Polícia Militar e do COPCON, passando a emissão para o Porto, às 20:45h.

– 17h30h: No Regimento de Polícia Militar ouve-se um apelo ao envio de reforços para a EN, saindo tropas da RPM para aquela emissora.  Pessoal do Serviço Director e Coordenador de Informações (SDCI), chefiado por Almada Contreiras, distribui armas e fardamentos a civis. O Coronel Varela Gomes instalou-se no COPCON, tentando comandar as operações. Durante a tarde, na RMN um pelotão do RC 6 deslocou-se para a BA 8 para auxiliar na protecção daquela unidade, onde estavam os 123 oficiais que abandonaram a base de Tancos uma semana antes. As forças navais da margem Sul, inicialmente favoráveis aos golpistas, são desmobilizadas.

– 18h: Dois pelotões do Centro de Instrução de Artilharia Antiaérea e de Costa (CIAAC) e duas secções de canhões sem recuo 10,6 dirigem-se à Amadora para integrarem o dispositivo no Posto de Comando.

– 18:19h: O Capitão Durand Clemente, que liderava as forças rebeldes da EPAM, surge nos ecrãs da RTP apelando ao Poder Popular e explicando as motivações do golpe.

– 19h15h: Um agrupamento do Regimento de Comandos (Companhias 121 e 122), comandado por Jaime Neves, ocupa a base do Monsanto e liberta Pinho Freire.

– 21h10h: A RTP é libertada e a emissão transferida para os estúdios do Porto.

– 21h15h: O General Costa Gomes dirige uma mensagem ao país, em que comunica ter decidido impor o estado de sítio parcial na região abrangida pelo Governo Militar de Lisboa. Otelo Saraiva de Carvalho aparece a seu lado no écran.

– 22h: Pinho Freire anuncia a retoma do controlo da 1.ª Região Aérea.

– 22:20h: A BA 5 é libertada.

– 23:45h: A CCmds 113/75, comandada pelo Capitão Manuel Apolinário, é empenhada na Calçada da Ajuda para desmobilizar uma manifestação de forças de esquerda que violava as normas do estado de sítio. 

  • 26 de Novembro de ​1975

– 00:55h: A BA 2 (Ota) e BA 3 são libertadas dos rebeldes ocupantes. 

– 01h30h: Após a intervenção na Calçada da Ajuda, os Comandos regressam à unidade.

– 05:30h: Por não terem cumprido o prazo de rendição, o Batalhão de Comandos 11 (CCmds 112 e 113), uma secção de canhão s/r 10,6 da EPI e militares que haviam abandonado o RPM, comandados pelo Coronel Jaime Neves, saem do RCmds com o objectivo de cercar o RC 7 e o RPM e render o comando revoltoso pelo pessoal de cavalaria que abandonara as unidades e que estava no RCmds. 

– 08h30h: Rendição do RPM e do RC 7, num dos episódios mais dramáticos do acontecimento, do qual resultam três mortos: um tenente e um furriel dos Comandos e um aspirante da Polícia Militar. O comando, composto pelos Majores Campos Andrada, Mário Tomé e Cuco Rosa é detido. Também durante a manhã, Dinis de Almeida entrega-se na Presidência da República, sendo detido.

– 14h30h: As Forças do RCmds são rendidas por forças do RIQ, regressando a quartéis. Ao início da tarde, a RMN enviou reforços dos Regimentos de Cavalaria e de Infantaria para a EPI, que recebe também o apoio de outras unidades na RMC. As posições dos sublevados começaram a desmoronar. No decurso da tarde, o CR dissolve o COPCON, ordenando a presença de todos os seus comandantes no Palácio de Belém. Um Esquadrão de Carros de Combate da EPC dirige-se para Lisboa, ficando a controlar o DGMG. Termina o cerco, por populares, do Destacamento Misto do Forte de Almada, com o Major Paz a substituir o Capitão Luz. Os Fuzileiros dispersam os revoltosos. No RI de Setúbal uma força do RC 3 reforça a unidade. A EPAM regressa ao comando da RML. À noite, a BA 6 regressa ao comando da I Região Aérea.

  • 27 de Novembro: Pela madrugada, são enviados para Custóias os militares implicados. Realiza-se a última reunião no COPCON, com Otelo Saraiva de Carvalho, o Coronel Artur Batista, o Capitão Lourenço Marques, o Major Arlindo Ferreira, o Capitão Tasso de Figueiredo, o Capitão Ferreira Rodrigues, o Tenente-coronel Arnão Metelo, o Comandante Gouveia e o Major Barão da Cunha, sendo discutida a situação e admitindo-se, ainda, o volte face. Durante a manhã, a situação normaliza-se no RALIS. De tarde, forças do RCmds cercam o comando do COPCON no Forte do Alto do Duque. Uma delegação da BETPQ dialoga com o CEMFA, com vista à normalização da unidade.  São aceites as demissões do CEME, Carlos Fabião, e do chefe do COPCON (que é dissolvido), Otelo, ambos desgraduados. Ramalho Eanes é escolhido como CEME interino.
  • 28 de Novembro: Termina a resistência na BETPQ. Rosa Coutinho é demitido do CR.  São emitidos mandatos de captura contra Varela Gomes, Durand Clemente, Costa Martins e vários elementos das agremiações políticas LUAR, PRP, MES e FSP. Depois de vencer a guerra civil contra a UDT, a Fretilin proclama unilateralmente em Díli a independência de Timor-Leste. Não reconhecida pelo Governo Português.
  • 29 de Novembro: O PR dá posse ao novo CEMA, Almirante Sotto Cruz. 
  • 30 de Novembro: Em visita ao Regimento de Comandos, Costa Gomes refere que a situação está controlada, não obstante o Comandante Jaime Neves manter a unidade em prontidão.
  • 02 de Dezembro: Termina o Estado de Sítio na região de Lisboa.
  • 07 de Dezembro: A Indonésia invade militarmente Timor-Leste. Portugal corta relações diplomáticas com a Indonésia e apresenta o caso de Timor na ONU. No dia seguinte, o Governador de Timor, Lemos Pires, e o contingente militar português, deixam a ilha de Ataúro e regressam a Lisboa em duas corvetas da Armada portuguesa.
  • 09 de Dezembro: Tomada de posse de Ramalho Eanes como CEME e de Vasco Lourenço como Comandante da RML.
  • 11 de Dezembro: Publicação de Lei constitucional para as Forças Armadas.

 

Bibliografia

AAVV. (2014) – Os Anos de Abril. O primeiro ano em Liberdade.  Vila do Conde: Verso da História, vol. 6.

AAVV. (2014) – Os Anos de Abril. O Verão Quente de 1975. Vila do Conde: Verso da História, vol. 7.

ALMEIDA, Paula Cardoso (Coord) (2015) – Descolonização. Vila do Conde: Verso da História, 8 Volumes.

AZEVEDO, José Pinheiro de (1979) – 25 de Novembro sem máscara. Lisboa-Braga: Editorial Intervenção.

BERNARDO, Manuel Amaro, GARCIA, Francisco Proença e FONSECA, Rui Domingues da (2005) – 25 de Novembro de 1975. Os Comandos e o Combate pela Liberdade. Lisboa. Edição da Associação de Comandos.

BISPO, António de Jesus e al (2025) – A Força Aérea e o 25 de Novembro. Lisboa: Tribuna da História.

Equipa Redatorial da do Decibel (1975) – 11 de Março.

FEIO, Jorge, LEITÃO, Fernanda e PINA, Carlos (1975) – 11 de Março. Autópsia de um Golpe. Lisboa: Agência Portuguesa de Revistas.

GOMES, Adelino e CASTANHEIRA, José Pedro (2006) – Os Dias Loucos do PREC [Do 11 de Março ao 25 de Novembro de 1975]. Lisboa: Expresso – Público.

GUERRA, João paulo (2009) – Descolonização Portuguesa. O Regresso das Caravelas. Alfragide: Oficina do Livro.

MARINHO, António Luís e CARNEIRO, Mário (2015) – 1975. O Ano que Terminou em Novembro. Lisboa: temas e Debates – Círculo de Leitores.

MFA (1975) – Relatório do 28 de Setembro de 1974. Lisboa.

MOTA, José Gomes (1976) – A Resistência – Subsídios para o estudo da crise político-militar do Verão de 1975. Lisboa: Edições Jornal Expresso.

REZOLA, Maria Inácia (1995) – “25 de Novembro Hora a Hora". In História, Ano XVII (Nova Série9, N.º 14, Novembro.

SOARES, Alberto Ribeiro (2000) – “Recordar 1975, o ano mais revolucionário, 25 anos depois". In Revista Militar. Lisboa: N.º 2386 – Novembro.

TAVARES, Silva (2001) – O Norte e o 25 de Novembro. Lisboa: Âncora Editora.


NOTAS

[1] Que terminará em 30 de Setembro de 1974. Presidirá ainda ao III (30 de Setembro de 1974 a 26 de Março de 1975), ao IV (26 de Março de 1975 a 8 de Agosto de 1975) e ao V Governos Provisórios (8 de Agosto de 1975 a 19 de Setembro de 1975).

[2] Participou activamente em acções contra o Estado Novo, nomeadamente na Revolta de Beja, em 1961, na qual foi ferido. Por essa acção foi preso e expulso do Exército. Retomaria o activismo político em colaboração com a Comissão Democrática Eleitoral (CDE), em 1973. Foi reintegrado após o 25 de Abril e, de novo, expulso das fileiras após o 25 de Novembro devido às suas posições radicais. Continuou ligado à extrema-esquerda, sendo crítico do rumo “centrista" da democracia portuguesa após a consolidação da Constituição de 1976.

[3] Desde o 25 de Abril que a GNR era vista pelo MFA e pela esquerda revolucionária como uma força conservadora e próxima dos sectores mais moderados, ou mesmo reaccionários, incluindo os que apoiavam o General Spínola, sendo, pois, uma força “sob suspeita".

[4] Onde participaram, igualmente, elementos da PSP. Sendo expulsas no dia 28 por elementos do COPCON.

[5] Deixará a GNR em 5 de Dezembro de 1974.

[6] Não possuía sequer um comandante único, mas um comando colectivo, liderado pelo Conselho Superior de Polícia. Criado após o 25 de Abril, tinha como objectivo principal a reestruturação da Polícia e a sua adaptação à nova realidade política.

[7] MFA, Relatório do 28 de Setembro de 1974. Lisboa: MFA, 1975: 21.

[8] Criado em 1965, por iniciativa do inspector da PIDE Óscar Cardoso, o destacamento de Tropas Especiais (vulgarmente conhecidos por TE), era composto por efectivos nativos de Cabinda, muitos deles desertores da UPA. Os TE's, comandados pelo Major Rua, chegaram a ter cerca de dois mil homens organizados em quatro batalhões, com dezasseis grupos de combate, tendo combatido a guerrilha do MPLA.

[9] O adido militar da Embaixada da R.F.A. avisa Pedro Cardoso, da 2.ª Divisão, que se preparava um golpe em Tancos.

[10] Destes acontecimentos resultará um soldado do RAL 1 morto e 14 feridos. Do lado atacante, um piloto de helicóptero e um paraquedista ficaram feridos. Foi ainda assassinado pelos militares do RAL 1 um civil e ferido outro.

[11] Estava planeada a consolidação do ataque por um corpo de 120 paraquedistas, transportados por 3 Nord-Atlas até ao Aeroporto de Figo Maduro, para seguirem para o RAL 1, mas o impasse do ataque inicial viria a frustrar este desenvolvimento.

[12] Mandado prender após o golpe e substituído pelo Major Alberto Mourão da Costa Ferreira, que fora detido com o Comandante.

[13] Deixara a GNR em 13 de Novembro de 1974.

[14] Deixara a GNR em 9 de Dezembro de 1974. Grupo que consegue fugir e, por volta das 17h, pedir asilo na embaixada da RFA. 

[15] Comandante-geral da GNR entre 4 de Fevereiro e 29 de Setembro de 1975.

[16] 11 de Março. Decibel Edições, 1975: 19-22.

[17] Criado a 14 de Março de 1975, tomou posse a 20 do mesmo mês.

[18] “A maquiavélica exploração que os gonçalvistas fizeram dos incidentes do 11 de Março abalaram profundamente a Força Aérea, chegando mesmo a radicar-se a ideia nos seus efectivos de que estaria para muito breve uma quase completa extinção daquele Ramo". In MOTA, José Gomes. A Resistência: 87.

[19] Decreto-Lei n.º 147-D/75 de 21 de Março, Diário do Governo n.º 68/1975, 2.º Suplemento, Série I de 1975-03-21, páginas 430-(4) a 430-(5): General António Ribeiro de Spínola, Brigadeiro Francisco José de Morais, Coronel Orlando José Saraiva Gomes do Amaral, Tenente-coronel Carlos António de Quintanilha dos Reis Araújo, Tenente-coronel Vasco Augusto da Silva Pinto Simas, Major Vítor Manuel da Ponte Silva Marques, Major Jaime Zúquete da Fonseca, Major José Eduardo Fernando Sanches Osório, Major Carlos Alberto Pinto Simas, Major António Manuel Sales de Mira Godinho, Capitão-tenente Guilherme Almor de Alpoim Calvão, Capitão-tenente Alberto Rebordão de Brito, Primeiro-tenente Carlos Alberto de Orey Zusarte Rolo, Primeiro-tenente Amadeu Cardoso Anaia, Primeiro-tenente José Maria Silva Horta, Primeiro-tenente Raul Dias da Cunha e Silva, Primeiro-tenente Benjamim Lopes de Abreu, Segundo-tenente João Carlos Cansado da Costa Corvo e Alferes Miguel Vilar de Góis Sommer Champalimaud.

[20] O PPM e os partidos à esquerda do PCP não assinam o Pacto.

[21] O PAP definia as linhas de política governativa e económica, tendente à «descolonização interna» e à construção de uma «sociedade socialista».

[22] Seria extinto a 05 de Setembro na Assembleia do MFA de Tancos.

[23] Os 9 oficiais do Grupo dos Nove, signatários do documento, foram: Melo Antunes, Vasco Lourenço, Sousa e Castro, Vítor Alves, Pezarat Correia, Franco Charais, Canto e Castro, Costa Neves e Vítor Crespo.

[24] Este tipo de assembleias foi replicado um pouco por todas as unidades do país.

[25] Sob a direcção de Ferreira Fernandes, Manuel Resende, José Carvalho e Heitor de Sousa, entre outros.

[26] Saem Vasco Gonçalves e a maioria dos conselheiros afectos: Eurico Corvacho, Ramiro Correia, Pereira Pinto, Costa Martins, Graça Cunha, Ferreira de Sousa, Ferreira Macedo e Miguel Judas. Saiu ainda Vítor Alves. Os gonçalvistas perdem nove conselheiros, o G9 apenas um. O CR passa a dezanove membros.

[27] AZEVEDO, José Pinheiro de. 25 de Novembro sem máscara. Lisboa-Braga: Editorial Intervenção, 1979: 93.

[28] Deveria ter sido composto por 2 Companhias de Comandos (a 112, Capitão Lourenço, e a 113, Capitão Apolinário), 2 Companhias de Fuzileiros do Batalhão de Fuzileiros N.º 3 (Capitão-Tenente Ribeiro Ferreira) e 2 Companhias de Paraquedistas (121 da DGAFA/Lumiar do Capitão Barroca Monteiro e 122 da BA6 do Capitão Loureiro Costa).

[29] Anulado em 8 de Dezembro, por despacho do novo CEME, Ramalho Eanes.

[30] Tasso de Figueiredo, Dias Ferreira, Lourenço Marques ou Costa Martins.

[31] Como, por exemplo, os telefonemas de Costa Gomes para contactar dirigentes da Intersindical e Álvaro Cunhal, então Secretário-geral do PCP.



ABÍLIO PIRES LOUSADA​

Militar Historiador e Mestre em Estratégia, Co-Director da Revista portuguesa de História Militar. Membro do Conselho Científico da Comissão Portuguesa de História Militar e membro fundador da Associação Ibérica de História Militar. Autor/co-autor de 18 livros e de mais uma centena de artigos sobre História Militar, Estratégia e temas religiosos. Prémio Literário de Defesa Nacional e Jornal do Exército.


HUMBERTO NUNO DE OLIVEIRA

Historiador (doutor em História), co-Director da Revista Portuguesa de História Militar. Membro do Conselho Científico da Comissão Portuguesa de História Militar e da Direcção de História e Cultura Militar. Presidente da Academia Falerística de Portugal. Professor da Faculdade de História da Universidade Estatal Ucraniana - Dragomanov (Quieve). Cumpriu, como Miliciano, o Serviço Militar Obrigatório no Exército Português


pdf Descarrega​r est​e​ texto​​​​​​


​​​

Como citar este texto:

LOUSADA, Abílio Pires & OLIVEIRA, Humberto Nuno de – Retirada Militar do Ultramar e Contexto Político-Militar em Portugal Entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975. Uma Cronologia. Revista Portu​guesa de História Militar - Dossier: Da Retirada Militar do Ultramar ao 25 de Novembro de 1975. [Em linha] Ano V, nº 9 (2025); https://doi.org/10.56092/GOYT7208​ ​[Consultado em ...].







Última atualização: 30 de dezembro de 2025

Partilhar
Conteúdo