Quando acabei de dar as ordens, os manifestantes começaram a dirigir-se na nossa direcção, gritando: “O soldado é filho do povo" e “Soldados unidos vencerão". Perante esta atitude, a coluna arrancou com velocidade em direcção ao objectivo e com alguns tiros para o ar, criando o efeito de surpresa desejado, obrigando os manifestantes a dispersar, permitindo montar o dispositivo pretendido sem qualquer dificuldade.
Foi então que nos apercebemos da real situação. O edifício da Embaixada estava em chamas, a destruição e a pilhagem continuavam e os Bombeiros, embora presentes, não tinham intervido, pois estavam ameaçados pelos manifestantes. Face a este cenário dantesco, determinei que duas Equipes de Combate, cada uma sob o comando de um Subalterno, se infiltrassem no edifício, necessitando de fazer alguns disparos para afugentar os ladrões e os malfeitores que insistiam em ali permanecer. Simultaneamente, ordenei o controlo das portas de acesso ao edifício para se proceder à intercepção e à revista dos malfeitores.
Entretanto, os manifestantes foram-se aproximando do dispositivo, não se atrevendo a fazê-lo em demasia face à nossa pronta reacção. Logo que a situação o permitiu, ordenei aos Bombeiros para extinguirem os diversos focos de incêndio.
Depois destes terem feito o seu trabalho, tentou-se proceder ao levantamento dos estragos, o que era totalmente impossível, face ao nível de destruição que encontrámos. Desde móveis antigos totalmente destruídos, torneiras e fios eléctricos arrancados, telas de todos os tamanhos rasgadas e queimadas, porcelanas partidas, objectos de prata e automóveis incendiados, tudo ali era possível encontrar, menos um objecto inteiro. O que não foi roubado, destruído ou partido, tinha sido queimado. O interior do edifício era um caos!
Cerca das 06h00, quando os manifestantes já tinham abandonado completamente a Praça de Espanha, dei ordem para se proceder à recolha do material, mesmo aquele que se encontrava danificado. Simultaneamente, solicitei ao RCmds o envio de três Berliets para a Embaixada e duas para o Consulado, todas com capota. Todas as Berliets foram carregadas de material até ao tejadilho e depois entregue na PSP.
Ao fim da manhã, fomos rendidos pela PSP, regressando de imediato ao RCmds. Mais uma vez, com a consciência da missão cumprida, embora totalmente frustrados. A destruição causada podia ter sido evitada, se a ordem de intervenção nos tivesse sido dada atempadamente. Houve responsáveis por tudo isto, mas “a culpa morreu solteira"! Somos um País de brandos costumes!
O Mês de Novembro de 1975
Chegados a Novembro, a situação política era grave e a militar caótica. Poucas unidades militares se podiam considerar disciplinadas e prontas a assumir o cumprimento das missões que lhe fossem cometidas. O País vivia um período de grande instabilidade e de enorme insegurança, com forte tendência para se agravar. Além de profundamente dividido, estava a ferro e fogo! Raro era o dia em que não chegavam notícias de atentados bombistas em qualquer parte do País, muito especialmente no Norte. Os principais alvos eram as sedes dos partidos de esquerda e de extrema-esquerda.
O Norte conservador apoiava o VI Governo Provisório e o Grupo dos Nove e escorraçava os elementos afectos ao PCP e à esquerda revolucionária, clamando por disciplina e ordem. Ao contrário, no Sul revolucionário, os Sindicatos e as Cinturas Industriais de Lisboa e Setúbal afectos ao PCP e à esquerda revolucionária, realizavam sequestros, greves e manifestações contestando permanentemente o VI Governo Provisório e o Grupo dos Nove, bem como qualquer decisão política tomada, desde que não lhes fosse favorável.
O PCP, com o apoio de alguns militares, continuava a ocupação das terras do Alentejo e, na tentativa de levar a Reforma Agrária ao Ribatejo, convocou uma manifestação para Santarém para o dia 6 de Novembro, onde se verificaram graves confrontos entre agricultores locais e elementos ligados a esta manifestação, de que resultaram 2 mortos e mais de 20 feridos.
Em 07 de Novembro, por ordem do CR, uma Companhia Paraquedistas de Tancos, na dependência do AMI, destrói, com recurso a explosivos, os emissores da RR na Buraca.
Em 08 de Novembro, os Paraquedistas, numa atitude de revolta, pedem para ser colocados à ordem do COPCON.
No dia 9 de Novembro, uma manifestação de apoio ao VI Governo Provisório no Terreiro do Paço, em Lisboa, foi atacada com granadas de fumo lançadas por elementos afectos à extrema-esquerda revolucionária.
No dia 10 de Novembro, os Paraquedistas de Tancos, que ainda não tinham recuperado completamente do fracasso que foi a sua participação no 11 de Março, na sequência da destruição dos emissores da RR, revoltam-se, o que faz com que 123 Oficiais abandonem o BETPQ e se apresentem no Estado Maior da Força Aérea, que os coloca em Cortegaça.
Em 9 e 11 de Novembro, o Partido Revolucionário do Proletariado/Brigadas Revolucionárias (PRP/BR) apela à insurreição armada.
Em 11 e 17 de Novembro, Otelo promete apoio aos Sargentos e Praças Paraquedistas sublevados.
Em 13 de Novembro, a AR e o Palácio de S. Bento são cercados por cerca de 100.000 trabalhadores da construção civil, tendo mantido sob sequestro o VI Governo Provisório[3] e todos os Deputados da Assembleia Constituinte. O cerco durou cerca de 36 horas e o tratamento que dado aos Deputados do PCP e MDP foi bem diferente do que a todos os restantes. Enquanto àqueles foi fornecida alimentação e eram aplaudidos, os restantes não tinham direito a alimentação e eram insultados. Como não foram tomadas quaisquer medidas para resolver esta gravíssima situação, apesar do RCmds se encontrar totalmente disponível para repor a ordem, o PM cortou relações com Otelo.
No dia 14 de Novembro, o PS, o PPD e o CDS realizam uma manifestação no Porto de apoio ao Governo, com a destruição da sede da União dos Sindicatos.
Em 17 de Novembro, o Chefe do Estado Maior da Força Aérea (CEMFA), General Morais e Silva, extingue administrativamente a Unidade de Paraquedistas em Tancos e os militares, que ali permaneciam, recusam-se a abandonar as instalações.
Em 18 de Novembro, o Governo autossuspende-se.
Em 19 de Novembro, o CEMFA determina a passagem a licença registada de 1200 Paraquedistas de Tancos.
No dia 20 de Novembro, o CR substitui Otelo no Comando da RML pelo Brig. Grad. Vasco Lourenço. Como compensação, extingue o AMI, fazendo regressar à dependência do COPCON as Forças Especiais das FA, o que não foi bem aceite pelos Comandos.
Nesse mesmo dia, uma delegação do RCmds, com Jaime Neves à cabeça, deslocou-se ao Forte de S. Julião da Barra, onde decorria uma reunião do CR, tendo entregado ao PR um documento discutido e aprovado na unidade e em que punha à disposição deste as forças do Regimento para combater a intranquilidade, a indisciplina e a insegurança reinantes no País.
Ainda nesta data realiza-se em frente ao Palácio de Belém uma manifestação revolucionária, com a presença de muitos militares e onde é lido um “Manifesto dos Oficiais Revolucionários", propondo uma saída revolucionária para a crise e a assumpção do poder popular armado. Otelo surge ao lado do PR, sendo ambos vitoriados, o que levou algumas forças partidárias a acusarem Costa Gomes de indecisão.
Em 21 de Novembro, realiza-se no RALIS, na presença do CEME, Gen. Carlos Fabião, um Juramento de Bandeira de punho no ar e com uma fórmula revolucionária.
Na mesma data reúnem-se em Lisboa os Comandantes das unidades militares revolucionárias da RML afectas a Otelo, declarando o seu apoio à sua continuação no Comando desta Região Militar, o que leva Vasco Lourenço, em 22 de Novembro, a desistir da sua nomeação para a RML.
Nesta data, a FAP inicia a concentração de alguns meios aéreos na BA de Cortegaça.
A 23 de Novembro, atraca no Cais de Alcântara o Navio Niassa, que transportava um Batalhão de Tropas Paraquedistas de Angola e todo o seu armamento. Apesar de toda a pressão exercida pelos Sargentos e Praças insurrectos de Tancos, o Gen. Grad. Heitor Almendra conseguiu fazer desembarcar todo o pessoal e material e, em cumprimento de uma ordem do Gen. CEMFA; deslocá-los para a BA da Ota e, posteriormente, para Cortegaça.
Em 24 de Novembro. o Secretariado das CT`s da Cintura Industrial de Lisboa convoca uma greve, opondo-se à nomeação de Vasco Lourenço para o Comando da RML e exigindo a demissão do Brig. Pires Veloso, Cmdt da RMN, do Cmdt do RCmds, Cor. Jaime Neves, e do Gen. Morais e Silva, CEMFA.
Nesta data, às 18h00, agricultores reunidos em Rio Maior, levantam barricadas nas estradas de acesso a Lisboa.
Alguns Órgãos do Estado elaboram planos de contingência, prevendo a transferência dos seus serviços para o Norte do País, o que, a acontecer, poderia transformar-se no rastilho para conduzir a situação a confrontos generalizados entre a população, com características de Guerra Civil. Para evitar tais confrontos e derrame de sangue inocente, era em Lisboa que tudo se iria decidir.
Na madrugada de 25 de Novembro, Vasco Lourenço é confirmado no Comando da RML.
O PCP que acabara de denunciar a FUR, parecia que se queria afastar das consequências do golpe que se viria acontecer, mas continuava a contar, entre outros, com a força das Cinturas Industriais de Lisboa e Setúbal, com os trabalhadores da Reforma Agrária e com a UEC, sob a direcção de Zita Seabra[4], reunidos em diversos pontos da cidade de Lisboa e na Margem Sul do Tejo, prontos a ser armados para a insurreição.
O 25 de Novembro de 1975
Na madrugada de 25 de Novembro, os Paraquedistas sublevados, incentivados pelo COPCON e alguns oficiais revolucionários, ocuparam as Bases Aéreas do Montijo, Tancos, Monte Real e, em Monsanto, o GDACI e o Comando da 1.ª Região Aérea, assumindo uma posição de força contra o CEMFA e a decisão de os extinguir administrativamente, acabando por resvalar para uma rebelião de maior amplitude. Enquanto isto, o RALIS reforça com um Obús Autopropulsado 8,8 cm os Paraquedistas em Monsanto e ocupa posições no exterior da unidade, preocupando-se com qualquer ameaça que pudesse vir do Norte. O RPM, pelas 17h00, ocupa a Emissora Nacional, tendo a sua emissão sido transferida para o Porto às 20h45. A EPAM ocupa a RTP, tendo a emissão de Lisboa sido cortada às 21h10 e passada para o Porto, quando o revolucionário Capitão Durand Clemente fazia uma comunicação ao País. A RTP colocou no Palácio de Belém uma equipe em permanência para poder continuar a transmitir a partir dali.
Às 21h15, o PR comunica ao País, através da RTP e da Rádio, que decretou o estado de sítio e o recolher obrigatório para a região de Lisboa, entrando em vigor a partir daquele momento.
Na RML, os revolucionários tinham à sua disposição o RALIS, o RPM, o RC7, o RAC, a EPAM, os Paraquedistas sublevados e os Fuzileiros. O plano arquitectado previa, além das posições já tomadas, que os Fuzileiros, com o apoio dos fogos do RALIS, neutralizassem os Comandos.
As Forças Militares afectas ao Grupo dos Nove e às ordens do GM iam reagir com um contra-golpe.
Grupo Militar
Ao fim da manhã de 25 de Novembro, o Tenente-Coronel (TCor) Ramalho Eanes, acompanhado de outros militares do GM, dirige-se ao Palácio de Belém e apresenta ao PR o plano previamente elaborado para resolver a crise. O PR, porque temia a Guerra Civil, apresentou alguma relutância em aceitar aquilo que lhe era proposto, acabando por aceitar accionar as forças e nomear o TCor Ramalho Eanes para Cmdt das Operações a realizar, coadjuvado pelos militares pertencentes a este GM.
O TCor Ramalho Eanes e parte do GM chegaram ao RCmds cerca das 17h30, onde montaram o seu Posto de Comando. O GM contava com as seguintes forças:
- FAP, com os meios aéreos pre-posicionados na Base Aérea de Cortegaça;
- RCmds a 02 BCmds e cada um destes a 02 CCmds;
- 01 Comp. de Atiradores da EPI de Mafra. Numa 1.ª fase, por ordem do GM, ocupou as antenas de Castanheira do Ribatejo;
- 01 Esquadrão de Reconhecimento (ERec) do RCE;
- 01 Companhia de Operações Especiais (COpEsp) sedeada em Leixões e comandada pelos Cap. Garcia Lopes e Cap. Rocha.
- 01 Esquadrão de Carros de Combate (ECC) da EPC de Santarém. Inicialmente com muitas reticências. Só chegou à entrada de Lisboa durante a manhã de 26 de Novembro, indo estacionar no Depósito Geral de Material de Guerra, em Beirolas.
- 01 Bateria de Artilharia Antiaérea (-), a dois pelotões do CIAAC. Apresentou-se no RCmds no dia 25 de Novembro, pelas 18h30;
- O2 Secções de Canhões sem Recuo 10,6 cm da EPI. Apresentaram-se no RCmds em 25 de Novembro, pelas 18h30;
- 123 Oficiais Paraquedistas que tinham abandonado o BETPQ de Tancos e aquartelados em Cortegaça.
- Ainda se apresentaram voluntariamente no RCmds:
- Alguns Oficiais e Sargentos do RPM e RC7, que tinham abandonado estas unidades por não concordarem com as posições assumidas pelos respectivos Comandos;
- Algumas dezenas de Oficiais e Sargentos da região de Lisboa, que vieram reforçar a segurança do RCmds.
Forças do Regimento de Comandos
No 25 de Novembro o RCmds dispunha das seguintes forças operacionais:
- BCmds 11, a duas Companhias, sob o comando do Cap. Inf. Cmd Arnaldo Cruz. Este BCmds era constituído por militares Comando no cumprimento do Serviço Militar Obrigatório (SMO).
- CCmds 112: Cmdt Cap. Inf. Cmd António José Lourenço;
- CCmds 113/75: Cmdt Cap. Art. Cmd Manuel António Apolinário.
- BCmds 12, a duas Companhias, sob o comando do Major Inf. Cmd Florindo Morais. Este BCmds era constituído por militares na disponibilidade convocados. Ficou constituído nas vésperas do 25 de Novembro.
- CCmds 121: Cmdt Cap. Mil. Grad. Gonçalves;
- CCmds 122: Cap. Mil Grad. Cmd Sampaio Faria.
Acções no 25 de Novembro
Neste texto, limito-me a descrever as acções atribuídas à CCmds 113/75, que eu comandava.
A primeira missão foi atribuída pelas 18h30 ao BCmds 12 e que consistiu no cerco e libertação do GDACI e da 1.ª Região Aérea, ambos em Monsanto, ocupadas pelos Paraquedistas revoltosos e reforçados com um Obús Autopropulsado 8,8 cm do RALIS.
Operação ao Palácio de Belém
Pelas 23h00, o Comandante interino da CCmds 113/75[5], Alf. Cecílio, foi chamado ao Cmdt do BCmds 11, tendo-lhe atribuído a seguinte missão:
“Prepara a Companhia a três GC`s para, à ordem, dispersar uma manifestação no início da Calçada da Ajuda, frente ao Palácio de Belém, em total desrespeito pela declaração de estado de sítio e recolher obrigatório em vigor na região de Lisboa."
A força articulou-se:
- Cmdt da operação – Cmdt do BCmds 11;
- Cmdt da CCmds 113/75 – Alf. Cecílio, Adjunto da Companhia;
- 03 Grupos de Combate.
Cerca das 24h00, a CCmds 113/75 aproximou-se dos manifestantes descendo a Calçada da Ajuda em marcha lenta. O Cmdt da operação, fazendo uso de um megafone, lembrou aos manifestantes que estavam a infringir “o estado de sítio e o recolher obrigatório", em vigor desde as 21H15, dando-lhe “cinco minutos para dispersar."
De seguida, a CCmds retirou-se do local em direcção à marginal. Cerca das 00h30, de 26 de Novembro, entraram na Praça Afonso de Albuquerque, aproximando-se de novo da manifestação. Verificaram então que a ordem não tinha sido cumprida e que o acesso à Calçada da Ajuda estava cortado por dois eléctricos e uma viatura branca de marca Renault colocada no passeio entre os eléctricos e a esquina do antigo edifício do Museu dos Coches.
Como a coluna militar foi recebida com o lançamento de “cocktails molotov", sem qualquer hesitação, com o auxílio de uma chaimite, desviaram o automóvel, permitindo a passagem da coluna e, assim, dispersar os manifestantes, sem necessidade de recorrer a qualquer tipo de violência. A força ainda se manteve no local mais algum tempo, mas como os manifestantes não voltaram aproximar-se do local, a Companhia regressou ao RCmds, onde chegou quando já passava da 01h30, de 26 de Novembro.
Operação ao Regimento de Polícia Militar
Na Calçada da Ajuda, localizavam-se duas Unidades de Cavalaria do Exército: o Regimento de Cavalaria 7 e o Regimento de Polícia Militar
(Fig. 1), ambas pertencentes ao grupo de unidades sublevadas.
Fig.1 - Movimentos de aproximação
Cerca das 04h30, de 26 de Novembro, todos os Oficiais do BCmds 11 foram chamados à Sala de Operações do RCmds onde, na presença, entre outros, dos TCor Ramalho Eanes, TCor Tomé Pinto e Cmdt do RCmds Jaime Neves, nos foi exposta a situação geral daquelas unidades. Segundo nos foi comunicado, os Comandos destas Unidades tinham manifestado ao PR a sua disposição de se renderem, fazendo depender a decisão final da vontade da maioria dos seus militares que, naquele momento, se encontravam reunidos em plenário de unidade.
O GM atribuiu ao RCmds a seguinte missão: “À ordem, procede à rendição dos Comandos do RPM e do RC7 pelos quadros que abandonaram estas unidades e presentes no RCmds."
Por diversas vezes fomos alertados “para a necessidade de, por todos os meios, evitar fazer tiros e, caso fosse necessário, evitar causar vítimas."
De seguida, tomou a palavra o Cmdt do RCmds definindo o seu conceito de operação e estabelecendo as seguintes tarefas:
- Com o BCmds 11, reforçado pelas duas Sec. C/S Recuo 10,6 cm da EPI, constituir o Agrupamento A (Alfa);
- Cercar as duas unidades, com especial atenção aos portões de saída das viaturas blindadas do RC7;
- Cortar o acesso à Calçada da Ajuda a Norte do RPM e a Sul do RC7;
- Posicionar o grosso do meu Subagrupamento (SubAgr) em frente ao RPM;
- Proceder à rendição dos Comandos das duas unidades.
Por último, o Cmdt do BCmds 11 constituiu os SubAgr`s, atribuindo-lhe as respectivas missões. Assim:
- Cmdt da operação – Cmdt do RCmds.
- Núcleo de Comando (NC): constituído pelo Cmdt do BCmds 11 e o 1.º GC (-), a duas EC da CCmds 113/75, e alguns militares Comando voluntários no activo e na disponibilidade. Ao NC foi dada a missão de “garantir a segurança imediata do Cmdt."
- SubAgr A1
Sob o Comando do Adjunto da CCmds 113/75 e constituído pelo 1.º GC (-), 2.º GC e 4.º GC. Foi reforçado por 01 Sec. Can S/ Recuo 10,6 cm, da EPI. Acompanhavam este Subagrupamento os militares que tinham abandonado o RPM.
Ao SubAgrA1, além de acompanhar o NC, foi dada a missão: “Em 26 de Novembro de 1975, pelas 08H05, o SubAgr A1, depois de montado o dispositivo pelos outros Subagrupamentos, sobe a Calçada da Ajuda (Fig.1), corta esta no seu topo Sul e garante a interdição do portão de saída de viaturas blindadas do RC7, ali existente. Posiciona o grosso deste SubAgr em frente ao RPM e colabora na rendição dos Comandos destas unidades." (Fig.2)

Fig.2 - Movimentos das Nossas Forças
- SubAgr A2
Sob o Comando do Cmdt da CCmds 113/75 e constituído pelo 3.º G e 6.º GC. Foi reforçado com 01 Sec. Can S/Recuo 10,6 cm, da EPI. Acompanhavam este Subagrupamento os militares que tinham abandonado o RC7.
Ao SubAgr A2 foi dada a missão: “Em 26 de Novembro de 1975, desce a Calçada do Gavião e aproxima-se do RC7 pela Rua General Massano Amorim, (Fig. 1) cercando-o do lado Norte e Este e garante a interdição dos portões de saída de viaturas blindadas do lado Norte e do portão de entrada/saída de pessoal na Calçada da Ajuda (Fig2). Procede à evacuação dos civis que permaneçam na Calçada da Ajuda, em frente ao RC7 e ao RPM, antes da chegada do SubAgrA1."
- SubAgr A3
Este Subagrupamento foi constituído pela CCmds 112 e comandado pelo Cmdt desta Companhia. Acompanharam este Subagrupamento como voluntários alguns militares Comando.
A este Subagrupamento foi atribuída a seguinte missão: “Em 26 de Novembro de 1975, desce a Calçada da Ajuda, (Fig.1) corta esta no cruzamento com a Travessa da Boa Hora à Ajuda e monta o cerco ao RPM no lado Norte, apoiando-se na Rua das Amoreiras à Ajuda e na Rua Nova do Calhariz, antes da chegada do SubAgr A1." (Fig.2)
Terminada a atribuição de missões aos SubAgr`s, foi dada ordem de aprontamento para saírem do RCmds à ordem.
Desenvolvimento da operação
Depois de ter atribuído todas as tarefas deduzidas da missão a cada um dos SubAgr`s, constituídos com base na CCmds 113/75, cerca das 07h00 foi dada ordem para o Agr Alfa formar na Parada do RCmds, para os procedimentos habituais nestas ocasiões.
Às 07h30, o Agr A abandonou o RCmds, deslocando-se em coluna auto, com o NC à frente, seguido dos SubAgr`s pela sua ordem, até ao Ponto de Irradiação, nos Quatro Caminhos (cruzamento da Estrada dos Cabos d`Ávila, com a Estrada Buraca/ Algés), a partir do qual cada SubAgr seguiu o itinerário previamente definido, dando início ao cumprimento da respectiva missão.
O NC e o SubAgrA1 seguiram em marcha lenta pela Av. das Descobertas, Av. do Restelo, em direcção ao início da Calçada da Ajuda.
Os restantes SubAgr`s subiram ao Alto da Ajuda.
SubAgr A2
Pelas 07h50, o SubAgr A2 iniciou a descida da Calçada do Galvão, aproximando-se do objectivo pela Rua General Massano de Amorim (Fig.1). Chegados à proximidade do objectivo, o 6.º GC, aproveitando-se do Largo existente em frente à Garagem Militar, montou o cerco e a vigilância do lado Norte do RC7, enquanto a Sec. Can. S/Recuo 10,6 cm se instalava no final da Rua Gen. Massano de Amorim, no enfiamento dos portões de saída de viaturas blindadas do RC7 (Fig. 2)
O 3.º GC, que tinha a missão de garantir o cerco ao RC7 do lado Este, no Largo da Calçada da Ajuda, em frente ao portão de entrada/saída naquela unidade e proceder à dispersão dos civis que se encontrassem nas imediações das duas unidades sublevadas, logo que se aproximou do estrangulamento existente na Rua General João de Almeida, junto à Garagem Militar, verificou que o acesso à Calçada da Ajuda estava cortado por uma vala e um enorme compressor. Recorreu a uma chaimite para desimpedir a passagem, permitindo-lhe, assim, montar o dispositivo previamente planeado e proceder à dispersão dos civis que permaneciam frente ao RPM, dentro do horário pré-estabelecido.
Enquanto este GC montava o seu dispositivo (Fig. 2), os militares do RC7 puseram as viaturas blindadas, que se encontravam posicionadas junto aos portões Norte do quartel, a trabalhar, sem tentarem abrir estes. Esta atitude apanhou-nos completamente de surpresa.
SubAgr A1
O NC e o SubAgr A1 iniciaram a subida da Calçada da Ajuda às 08h05. No início desta, junto à Travessa das Zebras, deixaram o 4.º GC com a missão de impedir o acesso à Calçada da Ajuda a Sul e garantir a vigilância naquela área. No início da Travessa do Desembargador, deixaram a Sec. Can.S/Recuo 10,6 cm, visando a interdição da saída de viaturas blindadas pelo portão Sul do RC7 (Fig. 2). O Cmdt do BCmds 11 ficou neste local com a missão de coordenar todo o pessoal ali posicionado.
Quando esta Força passou pela nossa posição, às 08h06, abrandou a marcha, tendo eu informado o Cmdt da atitude tomada pelos revoltosos e atrás descrita. Um Capitão, que integrava o NC como voluntário e que se deslocava em cima da chaimite, alertou-nos para as janelas do edifício encostado ao portão de acesso ao RC7 (a partir de agora designado por Edifício do Comando), que se encontravam com os estores quase em baixo e com protecção de sacos de areia no parapeito daquelas.
Depois da passagem desta força pela nossa posição e enquanto eu alertava o Cmdt do 3.º GC para as janelas do Edifício do Comando, o tiroteio de armas ligeiras dos revoltosos generalizou-se, quer em frente ao RPM quer ao RC7, tudo indicando que teve a sua origem nos jardins da DAC, em frente ao SubAgr A1 (Fig. 3). Um dos primeiros tiros acertou na escotilha da torre da chaimite, onde ainda se posicionava o Cmdt da Operação, Cor. Jaime Neves.

Fig.3 - Fogos das Unidades Sublevadas
De realçar, que os jardins da DAC tinham uma posição dominante sobre a Calçada da Ajuda e sobre a Parada do RPM. Estes e o RPM estão ligados por uma escada de alvenaria. O muro que separa estes jardins da Calçada da Ajuda tem o seu ponto mais baixo na zona da guarita do canto Norte, com cerca de dois metros de altura.
Dois Oficiais Cmd, que se integraram voluntariamente no SubAgr A3, perante a intensidade do tiroteio com origem na área da guarita do canto Norte da DAC, aproximaram-se desta, verificando que ali se encontravam um civil e dois militares armados de G3 e uma metralhadora ligeira. De imediato lançaram uma granada de mão ofensiva (GMO) para aquela zona, que, depois de explodir, aqueles, juntamente com outros militares que se encontravam nos jardins, abandonaram os seus postos de combate e a metralhadora ligeira, fugindo pelas escadas de acesso ao RPM. Isto permitiu aos dois Oficiais, sem qualquer risco, trepar o muro e abrir o portão que dava para a Calçada da Ajuda e de acesso àqueles jardins. Entretanto, outros militares Cmd e Cmds na disponibilidade treparam os muros, ocupando os jardins do DAC sobranceiros à Parada do RPM.
Verificaram, então, que no centro da Parada do RPM e no enfiamento do Portão de entrada daquela unidade, se encontrava uma metralhadora pesada Browning 12,7 mm, instalada em cima de uma viatura média Unimog, protegida por sacos de areia e devidamente guarnecida e municiada (Fig. 3). A sua guarnição, perante a presença de militares Cmd nos jardins da DAC, abandonaram a arma e fugiram, refugiando-se no interior dos edifícios.
No telhado da Casa da Guarda e montados em escadas encostadas ao muro, junto ao portão desta unidade, encontravam-se outros militares a disparar para a Calçada da Ajuda, entre os quais o Asp. Of. Mil. José Bagagem. Depois de terem sido avisados para acabar com o tiro, todos eles fugiram para o interior dos edifícios, excepto o Aspirante, que apesar de ter sido avisado algumas vezes, não obedeceu, continuando com a sua acção. Viria a falecer durante esta acção.
O tiroteio continuou, com origem nos edifícios em redor da Parada do RPM, tendo terminado depois do Portão de Viaturas ter sido derrubado por uma chaimite, por ordem do Adjunto da CCmds 113/75, em cumprimento de uma ordem superior.
Na área do SubAgr A2, numa fase inicial, os disparos foram feitos a partir das janelas do Edifício do Comando e do portão de entrada, onde se encontrava um grupo de militares sob ameaça de alguém que os comandava, incentivando-os a disparar (Fig. 3). Aliás, os gritos de incentivo foram permanentes.
Os estores das janelas referidas encontravam-se praticamente em baixo e com sacos de areia a proteger a abertura inferior. Por esta razão e em respeito pela chamada de atenção que nos tinha sido feita quando nos foi atribuída a missão, só foram feitas algumas curtas rajadas com as metralhadoras das chaimites para a parte superior dos referidos estores.
Já no decorrer do tiroteio, foi localizada mais uma posição de tiro de armas ligeiras dos revoltosos no telhado de um edifício à rectaguarda, com domínio sobre a nossa posição, que rapidamente foi silenciada.
No lado Norte do RC7, também houve alguns disparos da guarita de betão que ficava numa posição sobranceira ao portão de saída de viaturas e que também rapidamente foram silenciados. Não me foi possível localizar no tempo estes tiros.
Do interior do RC7, além do fogo de armas ligeiras, foram lançadas algumas GMO, tendo explodido três, enquanto a maioria não explodia porque foram lançadas com cavilha. Na área do SubAgr A2 foram apanhadas sete granadas nestas condições.
Além destas posições de tiro, no RC7 foi encontrada uma posição de metralhadora ligeira HK-21, junto ao Portão Sul. No local, foi abandonada a metralhadora devidamente municiada e pronta a disparar.
O tiroteio durou cerca de trinta minutos e terminou, tal como tinha começado, em simultâneo, quando foi derrubado o Portão do RPM.
Das nossas forças, durante esta acção, faleceram:
- Ten. Inf. Cmd José Eduardo Oliveira Coimbra, da CCmds 112. Este militar foi atingido pelas costas com um tiro, na Rua das Amoreiras à Ajuda (Fig. 3);
- 2.º Furriel Mil Cmd Joaquim dos Santos Pires (Fig. 3), do 3.º GC, da CCmds 113/75, atingido quando, debaixo de fogo intenso, procedia ao reposicionamento da sua Equipe de Combate no Largo da Calçada da Ajuda, em frente ao Edifício de Comando do RC7.
Com o derrube do portão do RPM, os Oficiais responsáveis pela sublevação renderam-se, tendo sido conduzidos sob escolta à Presidência da República.
Os restantes militares do RPM e todos os do RC7 foram mandados formar na Parada do RPM, sob o Comando do Cap. Cav. Cmd Banazol, do RC7, que com toda a dignidade militar apresentou a formatura ao Cor. Jaime Neves. Contudo, após ter sido dada a ordem de destroçar, ainda se ouviu o grito revolucionário em uso naquelas Unidades.
Cerca das 10h30, o RPM foi sobrevoado a baixa altitude no sentido SW-NE por uma parelha de aviões FIAT.
Por último, procedeu-se à entrega do Comando daquelas Unidades aos militares de Cavalaria que as tinham abandonado e tinham acompanhado a Força dos Comandos. Ainda se procedeu à recolha do material de guerra para as respectivas arrecadações.
Cerca das 14h30, as Forças do RCmds foram rendidas por forças do Regimento de Infantaria de Queluz, regressando a quartéis.
Diversos
Depois da operação ao RPM, as forças do BCmds 11 foram descansar, ganhando energias para uma nova operação que se previa e que felizmente não chegou a realizar, porque os Paraquedistas sublevados de Tancos se renderam e depuseram as armas.
Nos dias subsequentes ao 25 de Novembro e no seu âmbito, ainda foram executadas mais algumas acções. No dia 27, durante a manhã, a CCmds 112 foi nomeada para intervir no COPCON, tendo prendido alguns militares, excepto o Brigadeiro Otelo, a quem o TCor Ramalho Eanes foi buscar pessoalmente num automóvel do Exército.
Nesse mesmo dia, os Generais Carlos Fabião e Otelo foram destituídos das funções de CEME e de Cmdt do COPCON, respectivamente. O TCor. Ramalho Eanes foi nomeado Gen. CEME.
De acordo com um comunicado do PR de 12 de Dezembro, foram presos 118 militares e civis por envolvimento nos acontecimentos do 25 de Novembro.
Conclusões
O 25 de Novembro foi uma operação político-militar armada. Tratou-se da contenção de uma tentativa de golpe perpetrado por militares revolucionários e pelos partidos da esquerda e da extrema-esquerda, visando a eliminação da democracia pluralista que o Povo Português escolheu por maioria, através de voto secreto, nas eleições de 25 de Abril de 1975, para a Assembleia Constituinte e defendida pelo Grupo dos Nove.
Com o contra-golpe pretendeu-se exclusivamente travar a tentativa de golpe e restituir ao Povo Português um verdadeiro processo democrático, onde todas as forças políticas, que representavam a população em geral, pudessem fazer democraticamente o debate e o confronto de ideias. No 25 de Novembro, se houve um vencedor, esse foi o Povo Português.
Com o 25 de Novembro fica a existir um antes e um depois, bem distintos.
Antes, tivemos o PREC, o símbolo da luta revolucionária, com Vasco Gonçalves, o PCP, os militares revolucionários e os partidos de extrema-esquerda à cabeça. Foi um período caracterizado pela confusão, confronto, incerteza, instabilidade, insegurança e pela indisciplina dos militares revolucionários. O Povo Português dividiu-se entre o Norte conservador e o Sul revolucionário. As posições estavam tão extremadas que, a cada momento, estávamos mais próximos de um confronto armado entre a população, o que era necessário travar para não se causar sofrimento e dor e abrir uma ferida muito difícil de cicatrizar.
Depois, a ordem, disciplina, respeito pelo próximo, a vontade da população, pela propriedade alheia e a ausência de contestação por tudo e por nada.
Com o 25 de Novembro, os SUV e a FUR auto-extinguiram-se e nunca mais se ouviu falar de tais organizações. Os militares regressaram aos quartéis e foi possível promulgar a lei n.º 17 /75, de 26 de Dezembro de 1975, na qual se definiu o papel das FA e onde, pela primeira vez, se explicita o princípio da sua subordinação ao poder político
Em geral, as unidades militares passaram a ser locais de ordem, de disciplina, de camaradagem e de respeito pela hierarquia. A participação em manifestações de militares fardados terminou definitivamente. No lugar de militares indisciplinados, mal fardados, barbudos e com os cabelos grandes e mal tratados, passámos a ver na rua militares bem fardados com a barba aparada, com o cabelo bem tratado e as botas bem engraxadas.
Como foi possível verificarem-se estas mudanças em tão curto período de tempo? Os militares revolucionários tinham-se esfumado!
O 25 de Novembro devolveu ao País as ideias e todos os pontos defendidos pelo Grupo dos Nove. O comboio da democracia pluralista, que antes se encontrava descarrilado e a caminho do abismo, rapidamente foi recolocado nos seus carris. Sem excepção, todos os partidos políticos passaram a expressar livremente as suas ideias e a apresentar os seus programas.
O Governo e os restantes Órgãos do Poder passaram a funcionar na sua plenitude.
Em menos de um ano, foi possível aprovar a Constituição da República, realizar, pela primeira vez, eleições legislativas, presidenciais e autárquicas.
Alguns Órgãos do Estado foram expurgados dos elementos tidos por mais perniciosos ao evoluir da democracia, enquanto nos OCS alguns elementos foram suspensos.
Pela Lei n.º 15/75, de 15 de Dezembro, os Tribunais Revolucionários foram extintos. Estes tinham sido criados numa Assembleia do MFA, em 19 de Maio de 1975, para julgar os implicados no golpe de 11 de Março.
Os ataques bombistas continuaram por mais alguns meses. Contudo, o ELP criado na sequência do 28 de Setembro de 1974, movimento terrorista da extrema-direita, abandonou definitivamente a sua luta em Janeiro de 1976. O MDLP, criado na sequência do 11 de Março, suspendeu a sua actividade em Abril de 1976, por ordem do General Spínola.
Em 24 de Abril de 1976, é libertado o último dos militares presos na sequência do 25 de Novembro.
Lamenta-se que a Comissão encarregue de averiguar o processo das sevícias, no caso do RALIS, não tenha levado a investigação às últimas consequências. Ficou por esclarecer e solucionar a barbárie da justiça revolucionária, em que foi selvaticamente agredido e torturado, entre outros, o militar mais condecorado do Exército Português, o Herói Nacional Tenente Marcelino da Mata. Segundo o mesmo, foi sujeito a choques eléctricos nos testículos e bateram-lhe com uma cadeira de ferro, fracturando-lhe a bacia. Mais uma vez a culpa morreu solteira!
Abreviaturas
ADFA- Associação dos Deficientes das Forças Armadas.
ADIM – Associação para Defesa dos Interesses de Macau.
Alf. – Alferes.
AM – Academia Militar.
AR – Assembleia da República.
Art. – Artilharia
Asp. – Aspirante.
BA – Base Aérea.
Bat. – Batalhão.
BCmds – Batalhão de Comandos.
BETPQ – Base escola de Tropas Paraquedistas.
Brig. – Brigadeiro.
Cap. – Capitão.
CEME – Chefe do Estado Maior do Exército.
CEMFA – Chefe do Estado Maior da Força Aérea.
CEMGFA – Chefe do Estado Maior das Forças Armadas.
CIAAC – Centro de Instrução de Artilharia Antiaérea e Costa.
Cmd – Comando.
Cmdt – Comandante.
2.º Cmdt – 2º Comandante.
COPCON – Comando Operacional do Continente.
Comp. – Companhia.
CR – Conselho da Revolução.
CT – Comissão de Trabalhadores.
DAC- Direcção da Arma de Cavalaria.
DGMG – Depósito Geral de Material de Guerra (Beirolas)
EC – Equipe de Combate.
ELP – Exército de Libertação de Portugal.
EPI – Escola Prática de Infantaria.
FA – Forças Armadas.
FAP – Força Aérea Portuguesa.
FSP – Frente Socialista Popular.
FUR – Frente Unida Revolucionária.
Fur. – Furriel
GDACI – Grupo de Detecção, Alerta e Conduta da Intercepção (Monsanto).
Gen. – General.
LCI – Liga Comunista Internacionalista.
LUAR – Liga de Unidade e Acção Revolucionária.
Maj. – Major.
MDLP – Movimento Democrático de Libertação de Portugal.
MDP/CDE – Movimento Democrático Português/ Comissão Dem. Eleitoral.
MES – Movimento da Esquerda Socialista.
MFA – Movimento das Forças Armadas.
Mil. – Miliciano.
MRPP – Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado.
OCS – Órgãos de Comunicação Social.
PCP – Partido Comunista Português.
PPD – Partido Popular Democrático.
PR – Presidente da República.
PREC – Processo Revolucionário em Curso.
PRP/BR – Partido Revolucionário do Proletariado/Brigadas Revolucionárias.
PS – Partido Socialista.
RAC – Regimento de Artilharia de Costa.
RCE – Regimento de Cavalaria de Estremoz
RC7 – Regimento de Cavalaria nº 7
RCmds – Regimento de Comandos.
RALIS – Regimento de Artilharia de Lisboa.
RML – Região Militar de Lisboa.
RPM – Regimento de Polícia Militar.
Sec. Can S/Recuo 10,6 – Secção de Canhão Sem Recuo 10,6 cm.
SPE – Sociedade Portuguesa de Explosivos
SUV – Soldados Unidos Vencerão.
Ten. – Tenente.
T. Cor. – Tenente-Coronel
UDP – União Democrática Popular.
UEC – União dos Estudantes Comunistas.
NOTAS
[1] Constituído por Melo Antunes, Vasco Lourenço, Sousa e Castro, Franco Charais, Pezarat Correia, Canto e Castro, Victor Alves, Costa Neves e Victor Crespo
[2] Publicada na íntegra no livro “O Segredo do 25 de Novembro", de José freire Antunes.
[3] Nesta data, o VI Governo Provisório foi sequestrado pela 2.ª vez, em menos de dois meses.
[4] Ver declaraçõe3s de Zita Seabra em https//fb.watch/53TdbxMsEA/.
[5] O Comandante da CCmds 113/75 encontrava-se em Bragança a tratar de assuntos inadiáveis. Logo que tomou conhecimento dos acontecimentos em Lisboa, regressou ao RCmds, onde chegou à 01h20 de 26 de Novembro.
Manuel António Apolinário
Major-general, nasceu em 1948, em Parada-Bragança. Por vocação, ingressou na Academia Militar, onde frequentou o curso de Artilharia. Ao longo da sua vida militar cumpriu uma comissão em Moçambique e duas especiais em Macau, uma na PSP e outra como Subdirector e Director da Inspecção de Jogos, onde sofreu um grave atentado por não pactuar com o crime organizado, que aterrorizava os Casinos locais. No Território Nacional, prestou serviço em inúmeras Unidades e órgãos de Comando, nomeadamente, EPA, CIAAC, RAAQ, CIOE, RCmds, GAC/1ª BMI. RG2, COA; COFT e RMS.
Participou na acção armada de 25 de Abril e no contra-golpe de 25 de Novembro.
Em Novembro de 2005, com mais de 39 anos de serviço efectivo, por sua iniciativa, transitou para a situação de reserva.
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Como citar este texto:
APOLINÁRIO, Manuel António– Do 25 de Novembro de 1975. Os Comandos e a Actividade Operacional da Companhia de Comandos 113/75 – Dossier: Da Retirada Militar do Ultramar ao 25 de Novembro de 1975. [Em linha] Ano V, nº 9 (2025); https://doi.org/10.56092/BLJI5048 [Consultado em ...]